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A força feminina na comissão de harmonia da Colorado do Brás

Foto: João Belli

Dando continuidade a série ‘’Harmonia e Evolução’’, a equipe SASP conversou com a força feminina da comissão de harmonia da Colorado do Brás. Nati Garrido (28) explicou as estratégias de ensaio da agremiação, o entrosamento com os outros diretores e a importância em aumentar o número de mulheres em cargos de liderança.

Com uma agremiação que realiza os seus ensaios na rua, o trio de diretores de harmonia da Colorado transformou o que era um problema em solução junto com a comunidade. “É complicado porque devemos nos adaptar ao tempo. Não ter uma quadra à altura é algo difícil, mas a comunidade não se abate. Seja no frio ou no calor estamos todos juntos. Somos guerreiros, porque pode nos faltar tudo, menos garra, por isso a Colorado é gigante”, explicou Nati.

A diretora acredita que existem alguns fatores que não podem faltar na harmonia e na evolução de uma escola. “Sintonia, sincronismo de todos, alegria e o amor que as pessoas sentem pelo carnaval e pelo pavilhão”, comentou.

Oriunda de uma família de sambistas, Nati cresceu indo aos ensaios no Anhembi com os seus pais e mais velha começou a frequentar a Unidos de Vila Maria apenas como componente. “Meus pais puxaram a fila para ser harmonia e logo após veio minha irmã, tios e primos. Sempre achei que aquilo não era pra mim, mas um pouco depois surgiu a oportunidade de sair como apoio de harmonia na Vila e quem diria, me apaixonei”.

Em 2016, Nati entrou oficialmente no grupo de harmonia da Vila Maria e logo em seu primeiro ano teve a responsabilidade de tirar a escola da pista. No mesmo ano a diretora, ao lado de toda a sua família, recebeu um pedido especial de Ulisses Ozzetti, diretor geral de harmonia da Colorado à época. “Recebemos o convite, nos apaixonamos e permanecemos na escola de vez desde então”, explicou Nati.

Com a responsabilidade de retirar a escola da pista também na Colorado, Nati recebeu esse ano o convite da diretoria para integrar a comissão de harmonia da escola, ao lado de Diego Zulão e João Daniel “Eu fiquei em choque. Não aceitei na hora e pedi um tempo para pensar, mas ouvindo o meu coração resolvi aceitar, porque eles perceberam algo em mim que jamais tinha pensado antes”, destacou.

Infelizmente ainda existem poucas mulheres em cargos de liderança nas escolas de samba. A diretora acredita que às vezes é necessário assumir uma postura mais forte, se posicionar e ser ouvida. “No início foi bem difícil, até porque eu ainda estava me acostumando com a ideia. Eu percebia olhares desconfiados por conta da idade e de ser mulher, mas sempre retribui com um sorrisão, mostrando o meu trabalho, mantendo respeito e demonstrando que estávamos ali pelo mesmo ideal”. A escola também é parte fundamental no processo, pois além de nomeá-la para a comissão de harmonia, ofereceu todo o suporte necessário a Nati. “Também tenho todo o apoio do presidente Ka, da diretoria, da minha família e da comunidade”.

Questionada se mudaria algo no Manual do Julgador, Nati acredita que é preciso discutir alguns pontos para que não se perca a alegria, a espontaneidade e o brilho. “Entendo as necessidades técnicas de se julgar de maneira mais assertiva e correta, dando equidade, ou seja, condições para que todas as escolas sejam julgadas da mesma forma. Mas entendo que a gente passa por um momento difícil, onde precisamos discutir para garantir o carnaval puro que faz a gente sorrir de dentro para fora”, explicou a diretora.

A Colorado do Brás é a segunda escola à desfilar no sábado de carnaval com o enredo “Que Rei Sou Eu?”

 

SÉRIE HARMONIA E EVOLUÇÃO

 CEZINHA, DA UNIDOS DE VILA MARIA 

Botequim da SASP