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Com a presença de Arlindo Cruz, X-9 emociona mas faz desfile com falhas no conjunto alegórico

Emocionando o público presente, a X-9 Paulistana homenageou o cantor e compositor Arlindo Cruz, que completa 60 anos e se recupera de um acidente vascular cerebral acontecido em 2017. A grande surpresa do desfile foi a presença do sambista no último carro da escola, causando comoção e levantando as arquibancadas do Sambódromo. Com a família ao seu redor, o Arlindo estava em uma cadeira de rodas levando o pavilhão do Império Serrano, sua agremiação de coração no Rio de Janeiro.

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Comandada por Mestre Kito e Mestre Fábio, a bateria Pulsação Nota Mil foi o principal destaque do desfile realizando bossas bem executadas e reverenciou a bateria do Império Serrano com algumas menções através de sua ala de Agogôs. Com o andamento de 144 bpms, a bateria manteve o mesmo compasso durante todo o desfile.

No módulo visual, a agremiação teve muitos problemas com acabamento de alegorias e fantasias. As esculturas de alguns carros se encontravam com uma pintura desgastada ou muitas vezes sem um acabamento irregular. As fantasias apresentaram diferenças consideráveis quanto ao acabamento e leitura, destoando algumas vezes entre alas muito próximas.

Coreografada por Yaskara Manzini, a comissão de frente da X-9 Paulistana abriu o desfile da escola da Parada Inglesa com emoção. Levando os oito Babalaôs e os dois Babalorixás, o quesito retratou o momento de adversidade vivido por Arlindo Cruz e sua esposa, Babi, retratados na comissão como Xangô e Iansã. Na cena, Ajogun (a força do mal) ataca e derruba Xangô, em alusão ao problema de saúde de Arlindo. Iansã, então, evoca os espíritos ancestrais e derrota o mal, trazendo de volta as forças de Xangô, em referência a recuperação do cantor.

Marquinhos e Lyssandra, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da X-9, vieram logo na sequência representando a devoção de Arlindo à África. Depois, vieram as baianas da agremiação representando Oxumaré, a inspiração de Arlindo e orixá de adoração de Babi. O abre-alas da escola da Parada Inglesa trouxe a devoção e a fé, com as representações de Ogum (orixá da agremiação), Iemanjá, Cosme, Damião e Doum, além claro, da homenagem a Xangô.

Na sequência do desfile xisnoveano, a herança de Arlindo no samba. As rodas de samba, de pagode e partido alto tão presentes na vida do artista e, claro, as primeiras composições do poeta carioca. “Lições da Malandragem”, primeira música feita por Arlindo e que homenageou seu pai, e o começo da vida adulta do cantor, que mesclava a música e o serviço militar à Aeronáutica. A influência de Candeia, sua ligação com o Cacique de Ramos e a criação e primeira formação do grupo Fundo de Quintal, que Arlindo integrou, foram retratadas também em alas que antecederam a segunda alegoria da Xis. No carro, o encontro das raízes africanas e do samba na vida de Arlindo, formando o encontro do Baobá (árvore símbolo da África) e da tamarineira (símbolo do Cacique de Ramos).

Em seguida, a ligação de Arlindo Cruz com sua escola de samba do coração, o Império Serrano. Sambas-enredo escritos por Arlindo para a agremiação que irá abrir os desfiles do Grupo Especial do Rio no próximo domingo e outros sambas-enredo escritos por Arlindo para o carnaval carioca foram lembrados, como: “E verás que um filho teu não foge à luta”, do Império Serrano de 1996; “O Império do Divino”, do Império Serrano de 2006; “Você semba de lá, que eu sambo de cá”, da Vila Isabel de 2012; e “A Vila Canta o Brasil, celeiro do mundo”, o famoso Festa no Arraiá, da Vila Isabel de 2013. Fechando o setor, que ainda contou com citações aos grandes nomes do Império Serrano e ao tradicional Jongo da Serrinha, o terceiro carro da agremiação, uma verdadeira homenagem ao Império, uma das mais tradicionais escolas cariocas, donas de nove títulos do carnaval do Rio, além da coirmã de bairro, a Portela.

A relação de Arlindo com as comunidades, sempre valorizadas pelo artista, estiveram no terceiro setor do desfile xisnoveano. O amor à favela e as injustiças vividas por quem mora nas comunidades e periferias Brasil à fora e uma homenagem ao bairro de Madureira, na Zona Norte carioca, que foi eternizado nos versos de Arlindo foram citadas pelas alas da Xis. Houve espaço ainda para crítica, com uma ala retratando a classe política, mais preocupada em tirar vantagem que ajudar o povo e outra abordando a relação polícia-bandido que tanto mata. Multicolorido, o quarto carro da agremiação fechou o setor homenageando as favelas do Brasil.

O quarto e último setor do desfile da escola da Parada Inglesa relembrou as canções românticas e os maiores sucessos escritos e interpretados por Arlindo. “Demais”, feita em homenagem à Babi Cruz, “Samba de Arerê”, “Na pureza da flor”, “O Bem” e “O show tem que continuar” foram retratadas em alas. “Nos braços da batucada” veio a Pulsação Nota 1000, comandadas pelos mestres Fábio Américo e Kito Ferreira. A quinta alegoria fechou o desfile da X-9 homenageando e comemorando a vida de Arlindo.

Botequim da SASP