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Num papo descontraído, Mestre Rafa declarou: “Vamos causar impacto, o carnaval precisa do diferente”.

A Sociedade Rosas de Ouro segue a rigor o termo “escola de samba” em seu nome, formando diversos sambistas para o carnaval através de projetos sociais. Um exemplo vivo disso é o Rafael Oliveira, que ingressou no carnaval em 1992, pelo projeto “samba se aprende na escola”, estreando na avenida pela ala das crianças. Cinco anos depois começou a tocar na bateria mirim, e em 1998 subiu para batucada principal. Rafael se manteve como ritmista até 2010, ano em que se tornou diretor de repinique da então “Batucada D’Responsa”, do Mestre Tornado. Após três anos como diretor recebeu o convite da Presidente Angelina Basílio para comandar a bateria da Rosas de Ouro para o carnaval de 2014, e hoje parti para o seu quarto carnaval.

Rafael também estudou música, fez diversos shows no Brasil inteiro como percussionista, tocando até em bandas de forró.

Mestre Rafa da bastante abertura para seus diretores, ritmistas e até amigos de outras agremiações criarem bossas, as melhores ideias são lapidadas e executadas. Os desenhos de tamborins são criados pela dupla de diretores, Buiu e Vidica, que tem total liberdade para criarem, sempre seguindo a melodia do samba enredo. O surdo de terceira, que tem como diretor o Fuskão, é desenhado após a construção do tamborim, para diferir um instrumento do outro.

A bateria da Rosas tem uma forte presença de jovens oriundos da comunidade, que tocam dentro do andamento 144. A afinação é dada através do samba escolhido para a avenida, o tom que ele é cantado influencia diretamente na bateria.  A acentuação da batida de caixa é feita no contratempo, similar a algumas baterias do carnaval, a diferença está na finalização do toque da mão esquerda: “A nossa execução da mão esquerda é própria, quase nenhuma tem. Temos uma acentuação bem complicada e que da a diferença”. Outro diferencial é a presença de caixas de 14 polegadas, onde a batida dela é direta. O surdo de terceira, após a virada de dois, é livre, não perdendo sua característica de criação.


Quando assumiu a bateria da Rosas de Ouro, Rafa alterou diversas características, inclusive o nome, batizando então como Bateria com Identidade:

“Eu queria mudar o nome né, e o próprio vice-presidente Osmar Costa deu a ideia. Como Meu apelido era ‘Rafael Gordinho’, ele abreviou e ficou RG. Como muitos de nossos ritmistas, assim como eu e a diretoria, somos da casa, juntamos o últil e chegamos ao nome que está hoje, Bateria com Identidade”.

Num papo descontraído com a equipe da SASP, Mestre Rafa comentou sobre a “polêmica” bossa do segundo refrão, e nos contou como foi o processo de criação:

“Cara eu não sei como você vai encaixar isso no texto, mas vamos lá” (risos). “Bom, eu sou da linha evangélica né, mas depois que o samba foi escolhido, notei que no refrão do meio fala de Olubajé e o banquete. Então eu comecei a pesquisar a história do orixá, saber de tudo, principalmente em sinal de respeito né. Fui ao candomblé, e no centro conversei com uma entidade, cheguei até a cantar o samba pra ela, e nisso ela me deu um toque e eu gravei. Fomos aperfeiçoando o toque, aceleramos e criamos o breque, que se chama Opanijé, que é o próprio toque de Omolú”. E acrescenta: “Já teve várias versões dela, na primeira corria demais, depois o pessoal da escola achou uma loucura, falou que iria ferrar com a harmonia, etc. Mas é aquilo meu amigo, quem não arrisca não petisca, trabalhamos muito duro, esse breque é uma inspiração e levamos as religiões a sério, qualquer que seja”.

A Rosas de Ouro fechará a noite de desfiles do grupo especial de São Paulo, no dia 25 de Fevereiro, com o enredo: ”Convivium – sente-se à mesa e saboreie”, desenvolvido pelo estreante carnavalesco, André Machado.

“Traremos swing total e esse breque ai, diferencial maior que esse ai no carnaval eu não conheço” e afirma: “Eu quero ser lembrado, mesmo se for como aquele cara louco”. (risos)

Confira o áudio do 2° ensaio técnico e da bossa “Opanijé” da Bateria com Identidade:

Botequim da SASP