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O planejamento como base na Harmonia da Tom Maior

Foto: Anju Fotografias 

Apostando em um bom planejamento e no aproveitamento máximo de ensaios, Yves Alexeiv (41) diretor de harmonia da Tom Maior conversou com a equipe da SASP e explicou o segredo para um trabalho consistente.

Yves Alexeiv

O desfile de uma escola de samba é o resultado de um trabalho que dura meses entre a escolha do enredo, do samba, desenvolvimento de fantasias e alegorias, ensaios de quadra/técnicos até os minutos finais antes da comissão de frente cruzar a faixa amarela. Para Yves é fundamental que a escola tenha um planejamento bem feito. “Harmonia e evolução são quesitos diretamente ligados aos componentes da escola. Em São Paulo infelizmente não temos um contingente tão grande de desfilantes e nem a fidelidade existente como no Rio de Janeiro, por exemplo. Então para que você consiga desenvolver um trabalho consistente, é preciso aproveitar o máximo os ensaios para poder levar o melhor da escola para o desfile.” O diretor ainda comenta sobre um fator importante que envolve a escola e os componentes “Conseguir reunir a sua comunidade, desenvolver ensaios produtivos e ainda conseguir que seus componentes se divirtam é o grande desafio, porque se o componente não se divertir o carnaval perde a essência.” Afirmou Yves.

No último desfile, a Tom Maior enfrentou dificuldades no quesito evolução. A escola acabou acelerando o contingente mesmo com o cronômetro indicando uma “folga” para uma saída tranquila. Yves explicou que isso não foi uma estratégia e que nesse desfile nem tudo que foi planejado aconteceu como o esperado. “Faz parte do carnaval. Por isso os ensaios são tão importantes e a participação do componente é fundamental”. Para 2020 o diretor já garantiu que o trabalho para reparar o erro já começou “Fizemos um estudo rigoroso onde fomos penalizados em 2019 depois da apuração e estamos trabalhando pesado para não repetirmos as mesmas falhas apontadas pelos jurados.” Explicou.

Yves iniciou sua carreira em 2007 como harmonia no Barroca Zona Sul e depois de quatro carnavais e uma pausa de dois anos ingressou na Tom Maior. Em 2014 recebeu um convite da presidência da escola para integrar a direção de harmonia junto com Gabriel Ferreira (Gabiru).

Completando 12 anos de carnaval, Yves acredita que o Manual do Julgador poderia ser alterado em alguns pontos. “O mais gritante é a evolução, onde não punimos os desfiles militarizados e expomos as escolas com desfiles mais espontâneos, mais soltos a punições.” Mas muito além do Manual, o diretor expõe o seu verdadeiro afligimento “Me preocupa a forma com que os sambistas querem ser julgados. Há uma grande resistência ao julgamento subjetivo, por isso, o Manual é totalmente direcionado ao julgamento técnico. Não se julga criatividade, não se julga o espetáculo e por isso ficamos reféns de um julgador que é praticamente um conferente.”

A Tom Maior é a segunda escola à desfilar na sexta-feira de carnaval com o enredo “É coisa de preto”.

SÉRIE HARMONIA E EVOLUÇÃO 

ROGÉRIO FELIX, DRAGÕES DA REAL 

Botequim da SASP