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Poetas do Anhembi – Marcelo Casa Nossa e o tricampeonato que ‘não é pra qualquer um’

A maior campeã de São Paulo vêm de um desfile regular que trouxe uma das piores colocações de sua história. O décimo lugar alcançado pela Vai-Vai mexeu com as estruturas da escola e até hoje ainda há briga política sobre o mandato do presidente Neguitão. Porém, focada no carnaval, a diretoria confia num enredo autoral dos carnavalescos Roberto Monteiro e Hernani Siqueira. Dando sequência a série Poetas do Anhembi, a equipe SASP conversou com Marcelo Casa Nossa, o Chefia, sobre o como foi a recepção da sinopse pelos compositores da parceria até a decisão do último verso do samba campeão no Bixiga.

“A sinopse da Vai-Vai foi emocionante, pois foi totalmente declamada pelo grande Altay Veloso. Então, pra nós, foi muito gratificante. Foram cerca de 5 ou 6 encontros, fora os papos pelo WhatsApp. Existiram alguns caminhos até a chegarmos num consenso e a partir daí foi questão de escolha. Fomos pelo caminho que achamos conveniente. Claro que quando se tem várias pessoas juntas é normal termos diferentes opiniões, cada um tem sua visão. Temos que ser conscientes, escolher o melhor e fim de papo. Passamos a régua e finalizamos um dia antes de gravar, aqui na minha casa. Nesse mesmo dia chamamos o Fred Viana e o Darlan, que gravariam juntamente com o Carlos Jr. Aí o samba foi aprovado por ambos e logo em seguida pelo Carlão também”, explica.

Campeão com seus parceiros desde 2017, com o inesquecível samba sobre Mãe Menininha do Gantois, Chefia acredita que mesmo com o tricampeonato a parceria segue dando seu melhor para que cada ano seja uma proposta de samba diferente.

“Nós não mudamos o estilo de samba do Vai-Vai. É questão de escolha dos componentes da escola. Não existe um caminho exato, ninguém tem o segredo do sucesso. Na minha opinião é um misto de talento e sorte. Depende do momento, da luz, de tudo um pouco. A escola tem grandes sambas e calhou de ganharmos os últimos três acima de tudo é uma agremiação de grandes compositores”.

Chefia acrescenta que a necessidade de um enredo como o do Vai-Vai e da importância para o momento atual. 
“O interessante na minha opinião foi a forma poética que a sinopse foi transmitida para nós, os compositores. Não poderíamos deixar de fora o protagonismo negro. A grande história desse povo vencedor. Mas acima de tudo, citar Iemanjá foi de grande importância para desenvolver a história. O tema é a cara do povo da escola. O samba satisfaz o componente plenamente. As coisas tendem a levar tudo isso pra avenida. Acho que pode ser um carnaval marcante, a escola vem trabalhando muito nesse sentido. Enfim, creio que pode rolar uma grande química. Vamos aguardar”.

Ao ser perguntado sobre seu trecho preferido do samba o compositor é enfático.

“O refrão da cabeça é ‘embaçado’. A cara do Vai-Vai. Acho que o povo do Anhembi vai se amarrar demais nesse refrão”, finaliza.

O Vai-Vai será a quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, buscando o décimo sexto título de sua história na elite do carnaval com o enredo “O quilombo do futuro”.

Botequim da SASP