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Poetas do Anhembi – Rapha Maslionis e a emoção da primeira vitória no Especial

Qual o segredo para entrar no universo do carnaval? A parceria campeã na disputa de samba-enredo do Império de Casa Verde pode responder essa pergunta com apenas uma palavra: talento. Os compositores Acerola de Angola, Almir Mendonça, Luiz Jacaré, Rapha Maslionis, Leandro Rato, Marcelão e Pedro Carmo são nomes conhecidos da festa. Alguns deles ocupam cargos como direção de carnaval, mestre de bateria, direção musical, entre outros, mas apesar de suas funções em diversas escolas, ainda não haviam tido o prazer de imortalizar uma obra numa agremiação do Grupo Especial. 

Dando continuidade a série Poetas do Anhembi, a equipe da SASP conversou com Rapha Manslionis sobre a emoção de vencer uma disputa de samba na tricampeã do carnaval de São Paulo, o Império de Casa Verde.

“Nós recebemos a sinopse de uma maneira muito positiva. Fica fácil desenvolver um samba em cima de algo que já se tem referência, que são os clássicos do cinema. Quando a sinopse vem bem escrita e bem detalhada é ainda mais tranquilo criar poesia em cima daquilo. É meio caminho andado. Conseguimos pegar a proposta do carnavalesco logo de cara. Percebemos que não poderia faltar leveza, mas com melodias marcantes, assim como são os filmes. Essa é a nossa primeira vitória no Império e pra mim a ficha ainda não caiu. Estamos vivendo todo o ambiente da escola, tudo que podemos nós frequentamos. É um sonho e acho que só vou conseguir acordar de fato na avenida. Sempre tivemos a visão da escola gigante que o Império é, e nós temos consciência de que somos uma parceria nova e que é muito difícil de ganhar numa escola desse porte, mas conseguimos”, explica Rapha.

Segundo o compositor, quatro encontros foram necessários para compor o samba. Mas um trecho em questão ocupou várias horas da parceria.

“Nós nos reunimos quatro vezes para poder concluir o samba. Na primeira o refrão de cabeça saiu muito rápido. Nós estávamos num churrasco e de repente todos já estavam cantando. Paramos, analisamos e vimos que dava pra ir pra cima. A sinopse facilitou muito no desenvolvimento, porque já deu pra ver de cara o que o carnavalesco queria. A essência do enredo estava muito bem exposta. O trabalho de desenvolvimento da primeira foi fluindo naturalmente, em 40 minutos estava pronta. Fomos viajando e quando engrenou de verdade não parou mais. Tivemos dificuldade no refrão do meio. Fizemos uma reunião específica só pra ele, porque o que a gente estava escrevendo ficava aquém das demais partes. Marcamos um dia pra ‘tomar uma’, e conseguimos acabar depois de cinco horas. Foi difícil ir trabalhar no outro dia”, brinca o compositor.

Time vencedor das eliminatórias 2019 da Império de Casa Verde

Por se tratar de um enredo repleto de referências, a obra possui diversos trechos com alusões a filmes mundialmente famosos. Para Rapha algumas partes tem tudo para embalar tanto o Imperiano que vai desfilar, quanto o público das arquibancadas do Anhembi.

“Trechos como ‘Imperiano, que a força esteja com você’, ou ‘Romances que tanto marcaram não foram deixados no fundo do mar’, não poderiam ficar de fora. As coisas se linkavam a cada frase. Começamos lá atrás desde a criação dos irmãos Lumière com o trecho ‘A luz da imaginação / que ganha projeção e se eterniza’. Tentamos não deixar nada de fora. Esses são pontos fortes que chacoalharam a quadra e no dia do desfile não vai ser diferente. O refrão do meio também tem um potencial enorme e já funciona muito bem nos ensaios. Fizemos o samba já pensando no que o cantor da escola gosta de cantar. E conseguimos”.

É muito comum em diversas disputas de samba as parcerias optarem optarem por amigos ou conhecidos que sejam ritmistas e gravem as bases, pois isso barateia os custos, que não são poucos. . Mas para a parceria campeã esse ano merecia um algo a mais. Rapha confessa que nas reuniões todos os compositores concordaram em chamar a bateria do mestre Zóinho para que eles gravassem a base do jeito Barcelona do Samba.

“Geralmente, por questões financeiras, já temos um time montado que grava a bateria pra gente. Nesse caso foi diferente. O samba tomou um proporção maior que esperávamos. Então chegamos a conclusão de que ‘daria algo’. Todos animaram de já gravar com a bateria do Zóinho. Os ritmistas foram pro stúdio junto do mestre. O Acerola também participou desse processo todo. Além disso contamos com a ajuda de vários amigos na parte do coral. Tudo fluiu muito bem até a vitória”, confessa.

Rapha confessa com exclusividade à equipe da SASP que para 2020 a parceria se mantém de pé para a disputa no Império e em outras escolas.

“Temos alguns acordos pessoais entre nós da parceria. Todas as escolas que nos abrem as portas, nós temos o compromisso de sempre entrar pra concorrer com samba-enredo independente das circunstâncias. O Império é uma escola que independente do que acontecer sempre iremos concorrer. Vamos trabalhar para que mais vitórias venham”, finaliza. 

O Império de casa verde será a segunda escola a desfilar na sexta-feira de carnaval. Com o enredo “O Império contra-ataca”, elaborado pelo carnavalesco Flávio Campelo, a entidade busca seu quarto campeonato na elite do carnaval.

 



Botequim da SASP