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Poetas do Anhembi: Vinicius e sua primeira vitória na Rosas de Ouro

Por Vinicius Vasconcelos

Oito carnavais separam a heptacampeã do carnaval de São Paulo do lugar mais alto do pódio. Mas apesar dessa tempo sem vitória, a Rosas de Ouro, segue como uma das maiores escolas da cidade, e os compositores Didi Pinheiro, Vinicius, Marcinho JK, Fernando de Paula, Rafael Souza e Bolt Mascarenhas “embarcaram” na ideia da comissão de carnaval da entidade, que em 2019 fará uma homenagem ao povo Armênio com o enredo Viva Hayastan, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Manchado.

Dando continuidade a série Poetas do Anhembi, a equipe da SASP conversou com Vinicius Carvalho para saber tudo a respeito da obra. 

“De início, a maioria dos parceiros não queriam inscrever o samba. Mas como eu sempre tive esse sonho de ganhar na minha escola, insisti até o fim. Já ganhei no Império de Casa Verde, Mocidade, só que na minha escola ainda não havia conseguido alcançar essa honra. Fui persistente até que consegui. Algo me dizia que iríamos ganhar, mesmo depois de ter batido na trave tantas vezes. Assim que pegamos a sinopse vimos que a Armênia tinha uma história bacana, principalmente se tratando da parte religiosa que é muito bonita. O time foi se completando aos poucos, cada um com sua função específica para que o samba acontecesse. Nós demoramos muito para criar ele por inteiro. Num dia saia uma coisa e no dia seguinte a gente apagava porque não gostava mais. Demorou tanto que fomos terminar no estúdio”, explicou. 

O compositor emocionado após o anuncio da vitória.

O compositor confessa que as dificuldades foram inúmeras e que por diversas vezes pensaram em desistir da competição por falta de grana para bancar.

“Faltou grana o tempo inteiro. Nós não tínhamos dinheiro. Assim que inscrevemos o samba na disputa o nosso “patrocinador” nos avisou que não iria conseguir bancar mais. Pensamos várias vezes em tirar o samba porque não dava para seguir adiante devido ao alto custo financeiro. Palco é caro, torcida, cantor e etc. A própria disputa da Rosas em si custa caro. Conseguimos fazer cada um o sacrifício até que levamos o samba pra final. Mas no último dia, não tínhamos dinheiro pra absolutamente nada. Pensamos até em pedir empréstimo. Até hoje ainda temos coisas pendentes para ser pagas que vamos acertar esse mês”, desabafou o compositor

Apesar dos diversos obstáculos, Vinicius garante que a emoção de ganhar na sua escola do coração é indescritível.

“É um sentimento diferente. Em todas as fotos da final eu estou chorando. É a realização de um sonho. Ainda mais por tudo que passamos. Precisamos acreditar do início ao fim da disputa. Parecia que tinha que ser com sofrimento para que a gente valorizasse ainda mais a vitória. Foi sem dúvida o momento de maior emoção na minha vida”

Para o compositor, o ápice da sinopse feita pela escola é o momento de superação vivido pelo povo Armênio.

“O ponto mais forte é a parte religiosa, o momento de fé dos Armênios. Uma parte que nos marcou ao ler a sinopse é quando menciona que “Deus encontrou o lugar certo para iniciar sua obra”. Achamos isso muito bonito. A grande sacada do enredo é a parte do povo. Um povo que sofreu por diversos problemas, entre ele o genocídio. Suas terras foram tomadas e mesmo assim o povo seguiu acreditando. Os trechos que exaltam a superação vão de encontro com o momento vivido pela Rosas de Ouro. Estamos passando por algumas crises mas permanecemos sendo uma escola gigante do carnaval. Tentamos unir a Armênia ao momento que vive nossa escola”

A vontade de exaltar a grandiosidade da roseira e a necessidade de superar os momentos foi tão grande, que refletiu no trecho preferido dos compositores, segundo Vinicius.

“O final do samba ‘a rosas ergue a bandeira da superação’, fala muito de nós como componentes. É o momento da escola se unir, dos segmentos serem apenas um. De acreditar na escola, de acreditar que temos condições de fazer um excelente carnaval. Precisamos mostrar que a Rosas de Ouro continua sendo essa escola gigante”, finalizou o poeta.

A Rosas de Ouro será a quinta escola a desfilar no sábado de carnaval, buscando o oitavo título de sua história.

Botequim da SASP