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“Somos a favor do show, mas só a nota máxima nos interessa” – Afirma Neninho.

Fernando Moreira é o exemplo vivo de sambista da casa. Nasceu e cresceu dentro da quadra do Camisa Verde e Branco, onde permanece até hoje. Filho do Mestre Neno, Fernando fez seu primeiro desfile em 1992, com apenas 2 anos de idade, onde desfilou no colo do seu avô e Padrinho, Pelezão:Já em 1994, com 4 anos, eu entro pra bateria tocando repinique, mas só toquei metade do desfile, porque eu comecei a chorar (risos). O Mestre Sombra estava do lado acompanhando a bateria, e como eu sou muito ligado a minha família, fui pro colo dele e assim terminei o desfile”.

Neninho cresceu, se profissionalizou na música, e em 2014 foi chamado para ser Mestre de bateria do Camisa Verde: Meu primeiro ano como mestre foi muito difícil, tinha muitas dúvidas em saber se iria seguir o mesmo estilo do meu pai ou fazer algo diferente, porque estava vindo da Bateria do Império. Tinha um pouco de desconfiança da comunidade”. Mesmo não conseguindo o acesso ao grupo especial, a Furiosa foi bastante elogiada pela batucada apresentada, ganhando até o troféu nota 10, realizado pelo Diário de São Paulo, como melhor bateria do grupo de acesso de São Paulo: “No meu ano de estreia, fiz algumas coisas que hoje eu não faria, acho que eu passei do ponto por ser o primeiro ano. Mas consegui arrumar a casa com um bom trabalho”.

Além de 2014, a Furiosa também foi considerada a melhor bateria do acesso em 2015 e 2016, sendo eleita também pela SASP, no Estrela do Carnaval, como a melhor bateria do grupo de acesso em 2016.

A Furiosa tem um estilo bem próprio, a batida de caixa é a junção da acentuação da batida da Mocidade Independente de Padre Miguel, com o acréscimo da rufada da União da Ilha, ambas do Rio de Janeiro. A afinação geral é no estilo pesado, mais pro grave, sempre com um andamento entre 140 e 144. “Não adianta colocar o andamento da bateria do Camisa mais pra frente, porque a batida de caixa se encaixa nesse bit e é o estilo da bateria, não tem jeito”.

O tamborim do Camisa é conservado, bastante trabalhado no contratempo da melodia do samba, e o surdo de terceira acompanha o desenho. Ideias que o Mestre Neno implantou, e o Neninho vêm dando continuidade, com traços de modernidade. Todo dia eu crio uma bossa, seja  no banho, no carro, ou até  jogando um vide-game. Eu costumo dizer que é inspiração, a mesma ligação que um compositor tem ao escrever uma música, é a minha ao criar uma paradinha ou arranjo”.

Em conversa com a equipe da SASP, Neninho também comentou sobre as comparações feitas com o seu pai:

“Existe muita comparação com o meu Pai, nossa senhora, tem gente que prefere a bateria na época do Neno. A minha bateria tem uma diferença muito grande da dele, o jeito de conduzir, a formação, etc. São outros tempos, a mesma coisa você comparar um jogador de futebol de agora com um dos anos 80, não da, as coisas mudam”. E acrescenta: “Ser filho do Neno só agrega ao meu trabalho, meu pai é um cara que tem muito fãs no mundo do samba, e acho que as pessoas ficam felizes em saber que o filho dele está dando continuidade”.

A Mocidade Camisa Verde e Branco será a terceira escola a desfilar na noite do acesso, dia 26 de Fevereiro, com o enredo reeditado de 2003, sobre a revolta das chibatas.

“Vamos fazer uma bateria em cima da melhor bateria, porque pra muitos, em 2003, foi a melhor que meu pai colocou na avenida (risos). E podem esperar uma bateria muito bem ensaiada e engasgada com as notas do carnaval passado”. Ainda sobre o desfile, Neninho afirma: “Somos a favor do show, mas só  nota máxima nos interessa. Nossa meta é ser campeão e voltar pro especial, mas o show está em nossas veias né, se eu passar na avenida direto, acho que é perigoso meu pai me deserdar” (risos).

Botequim da SASP