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Amarildo de Mello conta sua história e a preparação da X-9 para o carnaval 2018

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Um dos maiores desafios para um carnavalesco é de abrir uma noite de desfiles. Isso é desafiador por conta de diversos fatores: público frio, arquibancadas ainda não tão cheias e mobilidade urbana, entre outros. No sábado de carnaval, quem terá essa árdua tarefa será o carnavalesco Amarildo de Mello, carnavalesco da X-9 Paulistana, que volta ao Especial após passar um ano na segunda divisão do samba paulistano.

Em um bate-papo com nosso comentarista da SASP e carnavalesco, Danilo Dantas, Amarildo falou sobre a preparação da X-9 rumo ao desfile 2018, também contou sua história no carnaval e finalizou falando um pouco do seu último trabalho, na Águia de Ouro em 2017, quando a escola acabou sendo rebaixada ao grupo de Acesso.

Falando do desafio de 2018, a Amarildo explicou que quer uma carnaval leve, para que os foliões possam brincar o carnaval verdadeiramente. Lembramos que a X-9 Paulistana desfila com o enredo A Voz do Samba é a Voz de Deus, Depois da Tempestade Vem a Bonança, que falará sobre os ditados populares através dos tempos.

“Propomos um carnaval com um tema simples, porém de muito conteúdo, de fácil entendimento em suas fantasias e alegorias, o que possibilitou também um samba alegre divertido. Na verdade tenho tentado em todos meus projetos apresentar temas que faça o carnaval ter mais cara de carnaval, onde os componentes possam se sentir em um baile de salão, brincando e se divertindo. Gosto de “carnaval com cara de carnaval” e não com formato ou aspecto de marcha militar. Carnaval é alegria é liberdade… Momento de catarse dos foliões”.

Ele também falou sobre o desafio de abrir os desfiles de sábado. “Nós não enxergamos como a primeira ao abrir o sábado. Nossa interpretação é que somos a oitava escola a desfilar dentre as 14. Em contrapartida confiamos em nossa comunidade aguerrida, e que levará seu orgulho de uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo, acalentada em seu peito e fortificada em sua vaidade, pelos excelentes resultados no decorrer de sua história que será embalado pelo um samba divertido, alegre e contagiante”.

Museólogo e historiador por formação, Amarildo contou que se tornou um grande admirador do trabalho de carnavalescos renomados, como Joãozinho Trinta, Fernando Pinto e Viriato Ferreira. A assim ele escolher ser um profissional do carnaval e em 2018 está completando 30 anos dedicados a maior festa popular do mundo. “Nesses quase 30 anos, desenvolvi mais de 60 enredos, por ter feito em alguns anos carnavais em 03 escolas diferenciadas. Comecei trabalhando já como carnavalesco no ano de 1989, no Bloco Carnavalesco Unidos do Anil.  Tenho passagens pelo Boi da Ilha do Governador, Arranco do Engenho de Dentro, Em Cima da Hora, Sereno de Campo Grande e Cubango, entre outras. Passei, por todos os grupos de escola de samba do Rio de Janeiro até chegar em 1998 no grupo Especial”, recordou.

Amarildo revela que sua grande chance veio em 1994, quando virou o carnavalesco da Acadêmicos do Dendê, levando a escola do grupo C ao grupo A de Acesso. O reconhecimento desse trabalho veio com o convite para fazer o carnaval da Caprichosos de Pilares em 1997, quando a escola de Pilares conquistou uma das vagas de acesso ao grupo Especial do Rio, em 1998.

“Por curiosidade e talvez até pretensão participei de um concurso, no início de 1997, realizado pela Beija-Flor de Nilópolis que visava a escolha de seu enredo para o carnaval de 1998. Participaram 65 carnavalescos com temas os mais variados. O enredo que criei O Mundo Místico dos Caruanas – Nas águas do Patu-anu foi o escolhido, dando-me o direito de participar da comissão de carnaval, sagrando a Beija-Flor de Nilópolis, campeã do Carnaval daquele ano. Muito antes do que eu pensava já estava participando como carnavalesco no Grupo Especial. Fiquei três anos na Portela, resolvendo então a partir de 2010, atuar no carnaval de São Paulo, com passagem de quatro anos na Unidos do Peruche e outros quatro anos na Águia de Ouro, e para o carnaval de 2018, sendo o carnavalesco da X-9 Paulistana. Ainda nesse período em São Paulo, fiz oito carnavais na Baixada Santista, nas cidades de Cubatão, Guarujá e Santos”, pontuou.

Um dos piores momentos em sua passagem pelo carnaval paulistano, foi o rebaixamento da Águia de Ouro no carnaval 2017. A escola que desfilou com o enredo Amor com Amor se Paga, Uma História Animal, terminou na penúltima colocação do grupo Especial. “Jamais foi o que eu esperava. Bem a respeito do mau resultado e só consultar os mapas de notas e justificativas onde a escola foi penalizada. Não falo em grande lição aprendida, porque sempre tive consciência que carnaval se decide na avenida. Enfim participei de todos os processos e serei leviano repassar o mau resultado a um o outro segmento. Carnaval na minha interpretação é parceria e trabalho em conjunto, quando um perde todos perdem junto, assim quando ganham, e fruto de uma equipe”.

Por fim, Danilo Dantas perguntou para Amarildo definir seu estilo como carnavalesco. “Sempre partindo de uma boa pesquisa ao tema proposto. Seja qual for o tema, a pesquisa do enredo é fundamental. Daí em diante toda formatação e construção do enredo fica fácil de ser desenvolvido. Surge um bom roteiro, boas fantasias e alegorias. Diria que meu estilo está embasado em uma boa pesquisa, tanto do ponto vista histórico literário como iconográfico. O desfile de uma escola de samba do ponto vista filosófico tem estilo barroquista pela necessidade do excesso de informação, porém em contraponto, nós carnavalescos devemos ter o cuidado de uma arrumação roteirística mas limpa ao estilo classicista, afim de torná-lo fácil sua leitura e entendimento”, finalizou.

Botequim da SASP