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Poesia Dí Quinta – De uma mercadoria para outra – Café em braços escravizados!

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Olá, pessoal!

A “Poesia Di Quinta” segue por aqui exaltando a importância e a profundidade dos enredos 2022 das escolas de samba de São Paulo!

E hoje a reverência será para a Acadêmicos do Tatuapé e para o mestre Nei Lopes!

O sagrado “Jongo do irmão café” ganhará vida na avenida! Saravá, Saravá! Axé para nossa ancestralidade que deixou tanto legado durante a saga do café!

De uma mercadoria para outra – Café em braços escravizados!
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E no sagrado ponto de jongo
Ligação entre Angola, Benin e Congo
Atemporal compasso de desejo tão longo
Gosto doce e amargo de cruel mercadoria
Cultivada em negro braço de resistência e cantoria
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Produção plena de inacreditável consciência
Para o lucro em voz de cortejo e essência
Latifúndio sagrado de retrógrada conquista
Para construir nobreza e riqueza do vale do Paraíba até o oeste paulista
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Pilão para moer os açoites na história
Porque produção de verdade era semeada no brilho da cultura em oprimida memória
São os ventos ingleses tecendo mudança na trajetória
Em prol da oferta e demanda para a ambição de acumular em capitalismo de glória
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Vento abolicionista que foi cantiga de resistência
Forjar esse orgulho devorado pela voraz casa grande de ínfima consciência
A pressão popular resultou em ato de princesa que espalhou alguma interpretação de inocência
Para contar um lado desse passado que não é encarado enquanto importante referência
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Mas eu não duvido dos sagrados batuques desse meu povo
A beleza do ritmo é a fonte para uma bela receita
Promover aprendizado para quem é tão novo
Para colher os frutos de riscados em improvisos que anunciam a mensagem mais perfeita
Refletir sobre desigualdade e respeito
Era Aruanda em primária necessidade embalada por crucial direito!

 

 

Yuri Coloneze – suburbano, portelense, poeta popular, apaixonado pela festa na fresta e também pelo carnaval de São Paulo!

Botequim da SASP