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“Confesso que está muito difícil para administrarmos com esse cenário”, diz vice-presidente da Colorado do Brás

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Mesmo antes de acontecer, o carnaval 2021 já é um dos assuntos mais falados pela imprensa brasileira. Isso se deve, pois o evento, comemorado em todo país, está em xeque devido a pandemia da covid-19, já que é quase impossível evitar aglomerações em desfiles de escolas de samba, blocos de ruas e festas nos salões, entre outras comemorações de momo. Em São Paulo, dono do maior carnaval do país, juntando blocos de rua e escolas de sambas, o prefeito se reuniu com dirigentes da Liga, que apresentaram uma proposta de mudança da data dos desfiles.

Enquanto a decisão não for chancelada, as escolas de samba trabalham para a construção do próximo carnaval. A Colorado do Brás, que em 2021 fará uma homenagem a escritora Carolina de Jesus, com o enredo Carolina, a Cinderela Negra do Canindé. O vice-presidente da entidade, Gilson Ramalho, conversou com a SASP e explicando como a pandemia afetou os trabalhos da vermelho e branco.

“O fato de termos uma sede no Brás, região da cidade com um grande foco do surto, afetou nossos trabalhos diretamente. Para evitar contato, passamos a fazer nossas reuniões por meio de vídeo conferência. Nesta mesma época em outros anos, nosso carnaval já estaria em processo de execução, como pilotos, barração e escolha de samba. Hoje, só estamos seguindo com a eliminatória, já que fizemos em um novo formato devido à pandemia, com segurança para os compositores e membros da escola. A semifinal acontece neste domingo (26) e a grande final no próximo dia 2, tudo online”, explicou.

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Além da preocupação com a saúde, os dirigentes carnavalescos estão preocupados com as pessoas que trabalham diretamente e indiretamente com a produção de carnaval. Muitas famílias dependem disso para sobreviver e caso haja um cancelamento da festa, é preciso oferecer apoio ou alternativas para essas pessoas manterem suas rendas nesse período. A parte administrativa das agremiações também causa receio, pois não há como gerar novas receitas neste momento. “A Colorado infelizmente tem um problema muito maior que a grande maioria das coirmãs, já que não temos uma sede própria. Pagamos aluguel para nos instalarmos e estamos muito preocupados, pois as contas não param. Fora isso, ainda temos os profissionais do carnaval que são de nossa responsabilidade e precisamos dar um respaldo a eles. Confesso que está muito difícil para administrarmos com esse cenário”.

A paralização das atividades econômicas também é outro fator de preocupação para a preparação de um carnaval, já que grande parte dos materiais são importados e alta do dólar encarece ainda mais o processo. Gilson, que é comerciante, proprietário de uma loja de roupas, opinou sobre alternativas para o momento. “Sou do comércio e o uso de produtos importados nos ajuda nos custos. Mas como essa alta no dólar, creio que possamos girar a economia do carnaval, consumindo somente produtos nacionais para a confecção dos desfiles. Porém precisamos de uma mega operação do governo pra ajudar as pequenas empresas, principalmente em relação a carga tributárias. É uma briga grande, mas está ai a oportunidade”.

O vice-presidente afirmou que é quase certo que o carnaval seja realizado em outra data, por conta de todos os problemas no cronograma de trabalho da escola e principalmente, pela falta de um vacina que dê segurança aos foliões. Mas caso não tenha carnaval em 2021, uma ideia defendida por alguns foliões, Gilson diz que a Colorado seguirá com o mesmo projeto para 2022. “Seguiremos com mesmo projeto sim, mas precisamos aguardar mais um pouco pra termos algo mais concreto referente a data do evento”, concluiu.

Foto – Samba Real

Botequim da SASP