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Esposas de compositores falam sobre o clima da família no período das eliminatórias

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Há uma máxima popular que diz que atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher! O empoderamento feminino já fez com esse dito fosse atualizado, já que ao invés de atrás, hoje se diz ao lado de um grande homem, existe uma grande mulher. Esse é um fato que ocorre em todos os setores da nossa sociedade e no carnaval não seria diferente, principalmente no período de eliminatórias de sambas-enredos, já que são elas que seguram o nervosismo dos maridos compositores.

Para explicar o que acontece nos bastidores do lar nesse período, a reportagem da SASP entrevistou duas esposas de famosos compositores do carnaval paulista: Tânia Sanches, esposa do compositor Turko, que nas últimas duas décadas é um dos principais poetas de carnaval de São Paulo, e Claudia Cardoso, casada com Xandinho Nocera, que também se transformou em um dos compositores mais vitoriosos dos últimos anos. A conversa ganhou ainda mais peso, já que ambas estão em uma semana de completa tensão, pois seus esposos irão se enfrentar na final da Dragões da Real, que escolherá seu samba no próximo sábado, dia 26.

Claudia e Xandinho Nocera

Começamos o bate-papo perguntando onde elas conheceram seus maridos. Claudia contou, que conheceu Xandinho em uma eliminatória no ano de 2009, sendo que ela estava trabalhando e ele concorrendo com um samba. “Foi simplesmente amor à primeira vista”, recordou. Já Tânia, que sempre participou do carnaval, já desfilava na Mocidade Alegre quando conheceu seu futuro marido, no início dos anos 90. “Eu e Amós (Turko) nos conhecemos no ponto de ônibus, eu estava indo para o trabalho, e ele para uma corretora de valores, também no centro. Nós já éramos do carnaval, eu na Mocidade Alegre e ele compositor da Leandro de Itaquera”, completou Tânia.

A missão de acompanhar os maridos nas eliminatórias é uma loucura, já que pode acontecer de ter mais de uma eliminatória na mesma noite. Porém isso não é um empecilho para nossas entrevistas, já que sempre acompanham o maridos em suas disputas, pois além do amor com o companheiro, existe também o amor pelo samba. “Sempre acompanhei, pois sou do samba também e pretendo continuar, já que quando ele está distraído resolvendo suas estratégias de samba-enredo com seus pareceiros, eu sou os olhos dele nas costas. Somos uma dupla de casados, onde um ajuda o outro em seus sonhos e objetivos. Sempre fomos assim”, relatou Tânia. Claudia ainda completou: acompanho em todas as eliminatórias e também na maioria dos encontros para a confecção dos sambas, pois além de ser companheira, também sou apaixonada pelo samba… O samba definitivamente nos uniu!

Tânia Sanches e Turko

Todos sabem que o período de eliminatórias muda o humor de presidentes, intérpretes, componentes e principalmente dos compositores, já que estão na linha de frente dessa disputa, que geralmente é desgastante tanto para a cabeça, como para o bolso. Por isso, esse é o momento que a sabedoria feminina entra em cena para freiar a tensão de seus esposos, evitando que os problemas do samba venham para casa. “Tenho que ter muita paciência, pois é um mix de emoções e sentimentos, que varia da tristeza quando se perde, a alegria quando se ganha. A ansiedade na semana daquela final importantíssima, o nervosismo e a ausência muitas vezes em casa durante as composições, literalmente tem que ter muito jogo de cintura”, relata a esposa de Xandinho. Para a companheira do Turko, as coisas parecem ser mais tranquilas, já que ela relatou que ele é um pouco mais paciente nesse período. “O Amós é muito centrado e focado no que faz, sendo assim, sempre quando estamos juntos, estamos falando dos meus sonhos e objetivos e dos objetivos dele no samba. Sempre tem a humildade de perguntar o que acho quando tem que mexer com egos do carnaval, mas todas as minhas opiniões são 90% iguais as dele, ele é um grande marido, sei que ele faz o que ama e sendo assim dou o maior apoio. Então, não temos nenhum tipo de diferença nas eliminatórias ou fora delas., estamos acostumados a perder ou ganhar, faz parte das nossas metas anuais”.

Tanto Claudia, como Tânia, reconhecem que um bom ambiente familiar é primordial para seus esposos criem obras vitoriosas de nosso carnaval. Por isso, as duas relataram apoios parecidos, sempre mantendo a relação dentro de casa em perfeita harmonia e incentivando seus maridos para que a mente esteja inspirada no momento da criação dos sambas. Falando no momento em que a “caneta canta”, aproveitamos para saber se elas palpitam nas obras. “A vantagem em ser esposa e que sou a primeira a ouvir a obra e tenho a oportunidade de falar o que acho, com relação a isso. O Xandinho sempre me pergunta eu sempre falo minha opiniao. Tenho também um papel importantíssimo que é desenvolver as artes dos cds e letras que são entregues nas escolas”, explicou Claudia.

Diferente do que acontece na casa do Turko, já que sua esposa nos contou que não palpita em suas obras. “Meu palpite só serve para correção de português ou para entendimento de alguma dúvida, quando necessário. O Turko é uma pessoa muito culta, ele lê muito e também por amar viajar, conhece muitas histórias do mundo que até eu não desconheço. Então é muito legal quando ele chega contando o enredo das escolas e porque são assim, discutimos o assunto num ângulo mais cultural e nunca do samba-enredo”, explicou.

Anos de convivência com os maridos compositores fizeram com que histórias inusitadas do período de eliminatória aparecessem na vida do casal. Tânia, que já está casada com Turko há mais de 20 anos, diz que nesse período aconteceram inúmeras histórias engraçadas, mas tem uma em especial. “Uma vez estávamos eu, Turko e alguns compositores, que inclusive estão nas finais da Dragões, em um fast food árabe em Santana, já era de madrugada, todos sentados, quando derepente ouvimos o barulho de uma rajada de tiros ensurdecedor vindo da rua! Sem titubear caímos para o chão, já que parecia um massacre do lado de fora… Teve um amigo, que não vou citar o nome, que parecia que estava na guerra, conseguiu caminhar e passar por cima da gente com os cotovelos e arrastando até chegar ao banheiro, ficando lá um tempão. E nós todos deitados no chão, de repente o garçom vem e avisa: podem se levantar, não aconteceu nada, são as motos e elas já passaram, continuem a comer suas esfihas! Meu Deus, eu ria tanto, pois cada um tinha uma história para contar de como caiu no chão, foi hilário esse dia, pois barulho de tiro eram de motos e a gente estava com tanto medo, que um caiu e todo mundo ficou deitado no chão por uns 5 minutos olhando por baixo da mesa. Teve gente chorando e tudo mais, foi muito engraçado…”, recordou.

Claudia relembrou de um fato tenso, que quase fez com que perdessem uma final de disputa. “Me recordo como se fosse hoje! Eem 2011, tínhamos uma final de samba-enredolá no Rio de Janeiro, que o Xandinho estava disputando. Combinei de o acompanhar, junto com minha filha Mirella, que na época tinha apenas 2 meses. A correria e o transito de São Paulo fizeram com nós perdêssemos o vôo, assim tivemos que comprar outras passagens para embarcar. Esse atraso fez com que nossa chegada no Rio fosse bem tensa e em cima da hora, com isso,  tivemos que correr para quadra, com as malas e tudo, mas no fim tudo deu certo, fomos campeões e comemoramos muito essa vitória”, finalizou.

A ideia da SASP nessa reportagem foi de mostrar a importância da mulher na vida do compositor de samba-enredo, essas “mulheres ousadas e maravilhosas” fazem com que seus maridos tenha a cuca no lugar para compor os sambas que estarão animando nosso carnaval. Então lembre-se que da próxima vez que estiver torcendo para um samba na eliminatória de sua escola, lembre-se que ao lado dos compositores da obra, existem mulheres apaixonadas que dão todo apoio que eles façam o melhor possível para sua agremiação.

Botequim da SASP