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Festival virtual Samba de Rosas celebra as mulheres e a cultura afro-brasileira

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Estreia no dia 27 de abril o canal do youtube do Festival Samba de Rosas, reunindo num único evento nomes do samba paulista e de expressões afro-brasileiras como a capoeira e a música de terreiro, para reverenciar a riqueza histórica do samba de roda, uma das raízes do maior patrimônio cultural imaterial do Brasil. Os conteúdos inéditos serão exibidos nos dias 27, 28 e 29 de abril, das 20 às 22 horas e ficarão disponíveis no canal, que está recebendo inscrições desde o mês de março, quando foram lançadas as redes sociais do Festival Samba de Rosas.

O Festival Samba de Rosas foi idealizado pelas cantoras Tatiana Bueno e Keli Aragão (Grupo Nó na Pedra). A ideia era lançar o festival no mês de março em homenagem ao Mês Internacional da Mulher, porém com as restrições por conta da pandemia a agenda precisou ser alterada.

A programação do Festival Samba de Rosas contará com a participação da sambadeira Nega Duda; grupo Samba de Roda da Dona Rosa (Mauá-SP); Mestre Marquinha e Meninas da Capoeira Filhos de Gandhi; Mãe Mônica Berezutchi (Associação Luz Dourada); Afoxé Filhos do Cacique e a cantora Tatiana Bueno com o grupo Nó na Pedra. Haverá intervenções da jornalista e pesquisadora Claudia Alexandre, com apresentação do radialista Moisés da Rocha, do programa O Samba Pede Passagem (Radio USP FM).

A ideia de homenagear o samba de roda fora do eixo do nordeste, principalmente do recôncavo baiano, onde esta expressão tem seus primeiros registros, é dar visibilidade e valorizar a presença da mulher na música popular brasileira, exaltando também uma musicalidade que tem a mulher negra como elemento fundamental.

O Festival Samba de Rosas virtual terá os seis episódios inéditos, gravados dias 18 e 25 de abril, no espaço de eventos Casa Blanca (Santo André – SP), em ambiente restrito, seguindo as orientações de distanciamento social, por causa da pandemia do novo coronavírus.

O Samba de Roda

O Festival Samba de Rosas tem o propósito de registrar os processos que levaram o surgimento do Samba de Roda no país, desde as primeiras manifestações culturais da música e dança caiçara no início do século XVI até a consolidação da expressão cultural na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, com seu impacto na música paulista, um dos objetos da análise cultural do projeto. Nesse contexto surge a presença feminina como protagonista de um processo sem o qual não haveria a expressão cultural com a magnitude que possui.

O samba de roda foi reconhecido como um patrimônio local pelo IPHAN em 2004; como patrimônio oral e imaterial da humanidade pela Unesco em 2005 e em 2020 se tornou patrimônio cultural imaterial do Estado da Bahia. Seus primeiros registros datam de 1860, no recôncavo baiano, como uma expressão que guarda ao mesmo tempo música, dança, poética e heranças negro-africanas elaboradas em solo brasileiro. Sua preservação é feita até hoje por grupos de sambadeiras e sambadores, no Recôncavo Bahia, que animam as rodas onde se presencia os sons harmoniosos de instrumentos como: viola, cavaco, pandeiro, reco-reco, ganzá, chocalho e prato-e-faca. As coreografias seguem as variações do samba de roda como miudinho, samba-chula e samba-corrido.

As Atrações

NEGA DUDA

Ducineia Cardoso é referência do samba de roda baiano na capital paulista. Atualmente é uma das cantoras do bloco afro Ilu Obá de Min e faz apresentações solos por todo o país. Nascida na pequena cidade do Recôncavo baiano, São Francisco do Conde, em 13 de maio de 1968, foi na beira do rio, lavando roupa que Nega ouviu e aprendeu as primeiras canções, os primeiros sambas de roda. Hoje Nega reside na Cidade Tiradentes, bairro da periferia na zona leste de São Paulo. Do Recôncavo para Montepellier, em 2002, Nega fez sua primeira viagem internacional ao integrar comitiva brasileira no 17º Festival de Montpellier-Printemps des Comédiens (França), representando a Bahia e as mulheres sambadeiras, numa comitiva de artistas populares. De lá recebeu um convite que a trouxe direto para São Paulo representar o samba de roda da Bahia e cantar no Bloco Afro Ilu Obá de Min.

SAMBA DE RODA DA DONA ROSA

O samba de roda da Dona Rosa, criado por Mestre Gildasio em 2016, nasceu com objetivo de envolver principalmente as mulheres remanescentes de Quilombo moradoras do Jd. Miranda, Mauá-SP, que migraram do Quilombo do Vale das Pedrinhas, região de Bom Jesus da Lapa-Bahia. O samba foi batizado com o nome : “Samba de roda da Dona Rosa” em homenagem a Yalorixá Rosalina Maria de Brito Barbosa, matriarca do Centro de Umbanda São José das Pedreiras. Dona Rosa foi figura importante para idealização do grupo, ela participou em vida do primeiro ano das rodas, fazendo sua passagem espiritual no ano seguinte, deixando sua marca e toda sua ancestralidade na História do nosso Samba. O Samba de Roda da Dona Rosa se reúne quinzenalmente, aos domingos, no Núcleo da Filhos de Ghandi, Jd. Miranda D’avez, mantendo a tradição na região do Grande ABC paulista.

MESTRE MARQUINHA E MENINAS DA CAPOEIRA FILHOS DE GANDHI

A mestre de capoeira Danieli Andrade dos Santos, 24 anos, integra o grupo Filhos de Gandhi (Mauá – SP). Começou a praticar capoeira com apenas quatro anos de idade, participando de projetos sociais da comunidade, sob o comando do mestre Gildásio Pereira. Hoje ela é uma ativista pela cultura e participação das mulheres na prática do esporte. É responsável pelo documentário de Mandinga. Em 2018 representou o Brasil, à convite do governo da Bolívia, em Santa Cruz de la Sierra e Tarija, onde ministrou palestras e workshops sobre as mulheres brasileiras e a modalidade da capoeira, uma das maiores expressões da cultura afro-brasileira.

MÔNICA BEREZUTCHI E FILHAS DA LUZ DOURADA

Mônica Berezutchi da Associação Luz Dourada – especialista em cultura africana e líder de movimentos culturais de periferia. Ativista cultural, coordenou projetos como o CD musical Louvação aos Orixás, de sua autoria, lançado em 2007, e idealizou o Festival da Primavera promovido pela ONG LUZ DOURADA, entre 2017 e 2019. Participa também de diversos movimentos sociais como a Caminhada Um Axé pela Vida da subprefeitura de Sapopemba entre outros tantos, mas sem nunca perder o foco de beneficiar o maior número possível de pessoas, tanto no aspecto material, quanto naquele tangível apenas por ações culturais oriundas de regiões onde habitam o sonho e a vontade de construir um mundo melhor e mais igualitário.

TATIANA BUENO E GRUPO NÓ NA PEDRA

Tatiana Bueno é cantora e compositora, sambista paulista de São Bernardo do Campo, militante há mais de 10 anos dos principais núcleos de samba do Estado de São Paulo, com forte atuação na capital paulista, região do ABC e litoral. Tatiana participará nesse evento apresentando seu show Samba de Rosas, concebido exatamente para a “valorização da mulher nos processos de desenvolvimento da cultura, além da sua atuação social de extrema importância, embora nem sempre reconhecida”. Ela será acompanhada pelo grupo Nó na Pedra, liderado por Keli Aragão. O grupo é conhecido pelo trabalho instrumental e pela pesquisa de repertório do Brasil colonial, passando pela música urbana de 1870, propagada a partir de 1930, com o início da era do rádio.

CLAUDIA ALEXANDRE

Jornalista e Comunicadora de rádio e TV. É Mestre e Doutoranda em Ciência da Religião (PUC-SP); Pesquisa Samba e Religião. Apresenta o PAPO DE BAMBA na plataforma BR Brazil. Autora de Orixás no Terreiro Sagrado do Samba – Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai (Editoras Aruanda e Griot). Com uma trajetória de quase 30 anos no universo do samba e das escolas de samba de São Paulo, Claudinha Alexandre tem defendido o lugar das mulheres, principalmente das mulheres negras na história do samba no Brasil. Ministrou o curso Mulheres do Samba e do Axé (Fundação Ema Klabin) e tem se aprofundado na pesquisa sobre a vida da baiana Hilária Batista de Almeida (1854-1924), que ficou conhecida como Tia Ciata, a mãe do samba.

MOISÉS DA ROCHA

Na década de 70 uma proposta mudou a atuação do talentoso radialista Moisés da Rocha e a história do Rádio paulista. Era 1977, quando recebeu o convite para integrar a equipe da recém-inaugurada Rádio Universidade de São Paulo (USP-FM). Moisés da Rocha revolucionou o radialismo com uma grade de programação voltada para a Música Popular Brasileira, exclusivamente o samba, com o programa “O Samba Pede Passagem” que permanece no ar pela mesma Rádio USP-FM. Com quase 50 anos de profissão, Moisés é um dos homens de maior vivência no Samba, colecionando reconhecimento por diversas entidades de classe com os 3 prêmios da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

Estreia do canal Festival Samba de Rosas

Homenagem paulista às mulheres do samba de roda, gravado no Casa Blanca, em Santo André (ABC Paulista)

Convidados: Nega Duda; Samba de Roda da Dona Rosa (Mauá-SP); Mestre Marquinha e Meninas da Capoeira Filhos de Gandhi; Mãe Mônica Berezutchi (Associação Luz Dourada); Afoxé Filhos do Cacique; Tatiana Bueno e Grupo Nó na Pedra e a jornalista e pesquisadora Claudia Alexandre. Apresentação: Moisés da Rocha.

Estreia: 27 de abril – 20 às 22 horas com 2 episodios; Episódios 3 e 4 (dia 28/4) e Episódios 5 e 6 (29/4)

Canal Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC-xH-XPzY-V-jR8DSayp1Xg

Direção: Marco Antônio Machado (Brazil Films)

Produção Executiva: Keli Aragão

Mídias Digitais

– FACEBOOK/festivalsambaderosas: www.facebook.com/festivalsambaderosas

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– YOUTUBE/festivalsambaderosas: https://www.youtube.com/channel/UC-xH-XPzY-V-jR8DSayp1Xg
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Botequim da SASP