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Gente do Samba – Rodrigo Delduque conta sua história e atuação na Acadêmicos do Tucuruvi

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A nossa série Gente do Samba sobe a Avenida Mazzei para contar a história de Rodrigo Delduque, Diretor de Carnaval dos Acadêmicos do Tucuruvi. Um dos nomes fortes da Cantareira, ele falou sobre sua trajetória na escola, seus planos para o futuro do Zaca e o carnaval de 2020, em que ele conseguiu reconduzir a agremiação para o Grupo Especial.

Quem levou Rodrigo para o mundo do samba foi sua tia Dinha, que era destaque central do Tucuruvi quando ele era pequeno. O marido dela, Laércio, era mestre de bateria. Aos fins de semana, o menino deixava o Jardim Brasil para ir brincar com os primos, que eram vizinhos da sede da escola e via sua tia construindo fantasias e recebendo outros integrantes da agremiação. “Nós éramos todos envolvidos por aquela atmosfera e eu fui admirando aquele universo”, contou Rodrigo.

Depois de passar a morar no bairro da escola, ele se aproximou do dia a dia dos setores e tentou até fazer parte da bateria, como muitos de seus amigos. Mas acabou mesmo se apaixonando pela rotina do barracão. “Eu queria saber como funcionava tudo aquilo ali, como eram feitos aqueles carros alegóricos, como eram feitas aquelas fantasias, como era reproduzido aquilo de modo geral”, afirmou. “Eu não queria ficar limitado a ficar tocando.”

Assumindo a Diretoria de Barracão

A relação entre Rodrigo e o Zaca esfriou por um tempo, enquanto ele trabalhava na África como treinador de Futebol. Mesmo morando fora do país, ele não deixou de desfilar um ano sequer e, voltando ao Brasil, recebeu o convite para assumir o cargo de Diretor de Barracão da escola. Com o passar dos anos, ele passou a se envolver mais com outros processos da agremiação e chegou a ser representante do Tucuruvi na LIGA-SP (Liga Independente das Escolas de Samba de SP) — o que foi crucial para que ele pudesse encabeçar mudanças na escola.

“Trabalhei com o Tadeu, com o Mercadoria, com o Seu Penteado, com o Jorge Freitas, com a turma da Mocidade, com o Carlão, com Zelão, com o Tomé na gestão antiga, com todas essas pessoas. Vim pegando toda a experiência que o carnaval trazia fora da Tucuruvi e me apaixonando cada vez mais”, relatou.

Trabalho como Diretor de Carnaval

Mas foi somente em 2013 que ele passou a conciliar os cargos de Diretor de Barracão e Diretor de Carnaval da escola. “Eu já estava fazendo parte de estúdio, de contratação de mestre de bateria, de contratação de mestre-sala e porta-bandeira, já tava me envolvendo em comissão de frente. Já estava tomado pelo carnaval da Tucuruvi do enredo no papel até o enredo na avenida”, contou.

Hoje, ele diz que tem total respaldo do Seu Jamil para tomar conta dos quesitos da escola de uma forma técnica e se coloca como um dos responsáveis pelo processo de renovação que a escola sofreu do meio para o final dessa década. “Nós trouxemos diretor de Harmonia com cabeça boa, trouxemos intérpretes com cabeça boa, casais com cabeça boa. Nosso elenco de nota é todo novo, eu me preocupo muito com isso”, explicou.

Além de chefiar o processo de renovação, incentivando escolinha da bateria e escolhendo um dançarino da comissão de frente para ser coreógrafo do quesito, Rodrigo quer formar outros profissionais do carnaval que entendam de várias frentes como ele. “eu tenho que formar mais Rodrigos, mais pessoas interessadas num contexto geral de escola, um contexto de carnaval amplo. Eu tenho passado todos os dias informações nos grupos, eu tenho passado regulamento, parte técnica. Eu me preocupo em passar todo tipo de informação, que não só o quesito”, explicou.

Carnaval de 2020

Para Rodrigo, o grande ponto de virada na escola para se recuperar do rebaixamento para o Grupo de Acesso foi a escolha do enredo. Contar a história de Chico Anysio já estava nos planos da escola já algum tempo, mas a carta na manga foi lançada justamente quando o Tucuruvi precisou se reerguer.

“Esse era um enredo que o Wagner Santos queria muito fazer e, por questões da diretoria, ele não pôde fazer. Eu acreditava muito nesse enredo, eu achava que ele era a cereja do bolo. Eu já vinha preparando ele na minha cabeça com todo o carinho”, confessou.

Além da identificação com o enredo, Rodrigo acredita que outro fator crucial para virar a chave foi o espero com o acabamento das alegorias e fantasias – o que fez os componentes afloraram na concentração, segundo ele.

“Como toda a escola, eu me considero um campeão do carnaval, independente de nota. Pelo trabalho exibido, pelo contexto geral de bateria, de casais, de comissão de frente, de fantasia, de alegoria, eu me considero um campeão do carnaval de 2020”, afirmou.

A Acadêmicos do Tucuruvi foi vice-campeã do Grupo de Acesso I no carnaval de 2020 com o enredo “Faces de Anysio, o eterno Chico. Sorrir é… e sempre será o melhor remédio”, com a pontuação máxima de 270 pontos. O resultado final foi decidido nos critérios de desempate, já que o Vai-Vai (campeão do Grupo de Acesso I) também conseguiu a pontuação máxima dentre as notas válidas.

Outras matérias da série Gente Bamba

Tiguês – Império de Casa Verde

Helena Figueira – Rosas de Ouro

Botequim da SASP