Por Antonio Júnior e Lucas Malagone
Foto: José Cordeiro/SPTuris
Neste sábado (7), começam oficialmente os desfiles do Carnaval de São Paulo, organizado pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liga-SP). A folia tem início no Sambódromo do Anhembi com a segunda edição dos desfiles mirins, a partir das 18h30. Na sequência, às 20h, entram na pista as escolas do Grupo de Acesso 2.
Ao todo, dez agremiações desfilam em busca do acesso ao Grupo de Acesso 1 em 2027. A apuração ocorrerá pelo segundo ano consecutivo no dia seguinte, no domingo (8), a partir das 17h, na Fábrica do Samba. Abaixo, a SASP apresenta um panorama do que cada escola levará para a avenida e relembra os sambas-enredo de cada uma das agremiações durante a temporada de ensaios técnicos.
Amizade Zona Leste (20h)
Vice-campeã do Especial de Bairros da Uesp, o Amizade Zona Leste abre oficialmente os desfiles do grupo com o enredo “Xangô e Iansã, o casal do dendê no Ilê do Amizade”, assinado pelo carnavalesco Rogério Monteiro.
A escola contará a trajetória de Xangô, de sua infância e formação como guerreiro até assumir o trono do reino de Oyó, quando encontra Iansã, seu grande amor. Conhecidos como o Casal do Dendê, os dois protagonizam uma das histórias mais marcantes da Umbanda e das religiões de matriz africana. O enredo aborda ainda o sincretismo, os rituais e as oferendas dedicadas a esse poderoso casal.
Imperatriz da Paulicéia (20h50)
Segunda a desfilar, a Imperatriz da Paulicéia apresenta o enredo “Congá, o altar sagrado da minha fé”, desenvolvido por uma comissão de carnaval formada por Leandro Santana, Francis Santos e Fran da Vila.
A proposta se aprofunda na religiosidade afro-brasileira, exaltando os orixás por meio de seus símbolos, rituais e sincretismos. O desfile também se posiciona como um manifesto contra a intolerância religiosa e o racismo historicamente associado às religiões de matriz africana.
Torcida Jovem (21h55)
Oriunda da torcida uniformizada do Santos, a Torcida Jovem leva para a avenida o enredo “Axé – Raízes e Ritmos da Cultura Afro-Baiana”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval. Pelo segundo ano consecutivo, a escola se mantém no Nordeste como eixo temático e, desta vez, celebra o axé music, explorando suas origens na Bahia, sua ancestralidade e sua importância cultural e social. O desfile percorre manifestações como afoxé, samba de roda, maracatu, capoeira, maculelê e reggae, além da vibração dos tambores do Pelourinho e da religiosidade afro-brasileira, exaltando o legado do povo negro e a força dos orixás.
X-9 Paulistana (22h40)
Rebaixada do Grupo de Acesso I em 2026, a X-9 Paulistana busca a recuperação com o enredo “Yvy Marã Ei: a busca pela terra sem mal”, desenvolvido pelo carnavalesco Amauri Santos. A escola narra a jornada dos povos guaranis em busca da terra sagrada livre de todo mal. Segundo a tradição tupi-guarani, a Yvy Marã Ei seria uma ilha espiritual, acessível apenas aos que atingem o estado de perfeição chamado aguyjé. O desfile propõe uma reflexão sobre respeito aos povos originários e sobre a necessidade de transformação de hábitos e conceitos da sociedade contemporânea.
Unidos de São Lucas (23h20)
Também vinda do Grupo de Acesso 1, a Unidos de São Lucas apresenta o enredo “Meu tambor é ancestral, heranças e riquezas de um povo… um Brasil de festas pretas!”, assinado por Anselmo Brito. A escola propõe uma viagem pelas festas populares de matriz africana que atravessam séculos, transformando resistência em celebração. Rituais, danças, batuques e cores compõem o desfile, que tem o tambor como símbolo central da conexão ancestral, da identidade coletiva e da cultura negra como pilar da brasilidade.
Unidos do Peruche (0h10)
Tradicional escola paulistana, a Unidos do Peruche celebra seus 70 anos de história com o enredo “Oi… esse Peruche lindo e trigueiro… terra de samba e pandeiro”, desenvolvido por Chico Spinoza. O desfile mergulha na história e na ancestralidade do pandeiro, um dos instrumentos mais emblemáticos do samba, desde suas origens africanas até sua consolidação como símbolo do Carnaval brasileiro. A proposta também homenageia os baluartes e a trajetória da escola, que sonha com o retorno ao Grupo Especial.
Morro da Casa Verde (1h)
Após bater na trave nos últimos carnavais, o Morro da Casa Verde busca o acesso com o enredo “Santo Antônio de Batalha faz de mim batalhador”, desenvolvido pelo carnavalesco Ulisses Bara. A escola apresenta uma narrativa que atravessa diferentes crenças ao contar a história de Santo Antônio, um dos santos mais populares do catolicismo, também cultuado em religiões de matriz africana. Através da figura do Exu da Lira, o santo ganha espaço no congá umbandista, simbolizando o diálogo entre fé, resistência e sincretismo religioso.
Imperador do Ipiranga (1h50)
Escola da Vila Carioca, a Imperador do Ipiranga desfila com o enredo “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, desenvolvido pelo carnavalesco Rômulo Roque. O tema aborda o sincretismo em torno de Cosme e Damião, santos gêmeos associados à proteção das crianças. O desfile celebra não apenas os santos católicos, mas também os Ibejis das religiões de matriz africana, exaltando um elo espiritual que conecta África e Brasil, infância e sabedoria, doçura e força ancestral.
Uirapuru da Mooca (2h40)
Vice-campeã do Especial de Bairros da Uesp, a Uirapuru da Mooca retorna ao Anhembi com o enredo “Maria Felipa – No balanço da maré, a heroína da Independência”, desenvolvido por sua comissão de carnaval.
A escola contará a história de Maria Felipa de Oliveira, marisqueira e combatente na Guerra da Independência do Brasil na Bahia. Líder de um grupo formado por mulheres negras e indígenas, Maria Felipa teve papel decisivo na resistência contra as tropas portuguesas na Ilha de Itaparica entre 1822 e 1823.
1ª da Cidade Líder (3h30)
Encerrando os desfiles do grupo, a 1ª da Cidade Líder busca o acesso inédito com o enredo “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, desenvolvido pelo carnavalesco Anderson Rodrigues. A escola homenageia um dos maiores nomes da história recente do Carnaval, revisitando momentos icônicos da carreira de Paulo Barros, como a comissão de frente icônica de “É Segredo”, em 2010, e a alegoria do DNA de 2004, ambos desfiles da Unidos da Tijuca. O homenageado participou ativamente da construção do desfile, contribuindo com detalhes de suas criações mais marcantes.
Serviço
Os desfiles têm entrada gratuita, com abertura dos portões às 18h. A Avenida Olavo Fontoura estará interditada nos dias de desfile.
Como chegar:
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Táxi: acesso permitido pela Av. Olavo Fontoura.
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Transporte por aplicativo: desembarque nos arredores; será necessário caminhar até os portões.
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Ônibus: linhas especiais saem do Metrô Tietê (179A-10) e do Metrô Barra Funda (879A-10), com tarifa de R$ 5,30.
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Metrô: tarifa de R$ 5,40.
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Veículo próprio: estacionamento do Distrito Anhembi disponível nos portões 5 e 7, com acesso pela Marginal Tietê. Valores podem ser consultados no site oficial do Distrito Anhembi.
Para mais informações, acesse o site da Liga-SP. A SASP fará a cobertura completa dos desfiles em seu site, redes sociais e canal no YouTube.