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Poetas do Anhembi: Márcio Pessi e a busca da Colorado em repetir a nota máxima do último carnaval

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Por Vinicius Vasconcelos

No retorno ao Grupo Especial após 25 anos, a Colorado do Brás quer repetir a dose de 2018 e garantir os 30 pontos no quesito samba-enredo. A obra, aclamada por público e crítica, ecoou no Anhembi no último ano graças a sua qualidade e a excelente interpretação de Chitão Martins. Para o ano que vem, a parceria – autora do samba-enredo vice-campeão do Acesso no último carnaval – espera que isso aconteça novamente. 

No terceiro episódio da série Poetas do Anhembi, a equipe SASP conversou um dos criadores do samba da Colorado nos últimos dois carnavais. Na conversa com Márcio Pessi, ele ressaltou como o samba o samba foi criado e falou se tem segredo para ganhar a disputa na Colorado, já que Pessi e o parceiro Edson Daffeh são bicampeões.

“Houve uma mudança na parceria de 2018 para 2019. Saíram três parceiros e entraram Evandro Bocão, Pereira e Marcelo. Um ganho tremendo na qualidade. Assim que a sinopse saiu automaticamente nos deixou ansiosos. Porque nosso samba foi muito reconhecido no último ano, a Colorado voltou e o samba ajudou nesse processo todo. É um enredo bem interessante que nos pegou de surpresa”, disse Pessi.

Com o título de enredo “Hakuna Matata -Isso é Viver!”, Pessi revela que inicialmente pensava se tratar do clássico infantil “O Rei Leão”, mas a parceria remou contra a maré dos outros concorrentes e seguiu a linha clara exposta pelo carnavalesco, em homenagear o Quênia. “A priori achamos que falaria do filme e foi a linha de raciocínio que as outras parcerias seguiram. Nós não. O carnavalesco deixou claro que o enredo seria sobre Quênia então abraçamos essa ideia e o Quênia é o fio condutor. O samba é “pesadaço” e eu tenho certeza que o trecho ‘Pulsa nosso povo apaixonado, queniano é o tambor da Colorado’ vai ser um barato na avenida”, destacou Pessi.

Parceria campeã e o presidente da escola no centro

Como alguns dos parceiros são cariocas e os custos de uma viagem Rio x São Paulo são altos, o uso da tecnologia foi primordial para que a criação fluísse da mesma maneira que as parcerias locais. “Nós começamos a compor pelo WhatsApp. As ideias vão surgindo e usamos a modernidade a nosso favor. Criamos um grupo com todos. Todos da parceria iam dando ideias, incluindo o André Diniz, que também nos ajudou e assim o samba foi sendo criado. Eu e o Daffeh fomos para o Rio apenas na etapa final para que os pensamentos se encaixassem”. Frisou.

Cada parceria tem suas particularidades ao longo da disputa e não é diferente com o time campeão na Colorado. Pessi e sua turma preferem não compartilhar com ninguém da escola o processo de construção da obra.

“Nós não mostramos para o carnavalesco e ninguém da escola, é coisa da nossa parceria. Achamos que o carnavalesco já é o artista que põe a ideia da sinopse, a partir dali é nossa obrigação, como compositores, criar algo em cima daquilo. Porque se a cada verso que você faz ficar perguntando a ele seria mais fácil por uma melodia na própria sinopse. Temos essa preocupação de criar uma ideia nova, um novo horizonte. É função das parcerias clarear as ideias do carnavalesco. O nosso samba foi diferente porque é mais africano e mais robusto”, declarou.

A responsabilidade de repetir o feito de 2018

Apenas três escolas obtiveram a nota máxima do quesito samba-enredo no grupo em que a Colorado disputava em 2018 (Pérola Negra, Nenê de Vila Matilde e Colorado do Brás). Desde o pré-carnaval, o samba da Vermelha e Branca era muito comentado e apontado como uma das grandes obras do ano. Segundo Pessi, quando se cria um bom samba no ano, a dificuldade para o próximo é extremamente maior.

“A responsabilidade é 10 vezes maior. A parte mais difícil depois da criação de grande samba é porque você começa a duvidar de si mesmo. Acha que nada está bom, pensa que não está do mesmo nível do que passou. Faz duas linhas, apaga e repensa. O que tem que ser feito é pegar uma caixa, guardar o samba e esquecer. Porque é outro enredo, outra viagem, outra história, tudo diferente. Se ficar lembrando do último a criação não anda. Até brinco que já joguei muito trecho de samba achando que não era bom, mas a experiência faz a gente aprender”, comentou. 

Pessi também destaca que apesar de algumas diferenças da criação dos sambas cariocas e paulistas, Evandro Bocão e André Diniz foram essenciais com suas ideias “malucas”.

“A minha maior dificuldade de fazer samba com os dois é porque são meus amigos pessoais, acompanho desde 2007. Somos um time que disputa samba-enredo. Cada um tem sua singularidade e poder de agregar. Nós com o jeito paulista com a melodia mais aberta e prolongada, eles com o “jeito maluco” que é fantástico, que só eles fazem o samba meio no contra. O resultado eu tenho certeza que vai ser mais um show na avenida, só tivemos elogios até agora”, finalizou.

A escola do Brás será a primeira escola de samba a desfilar na sexta-feira de carnaval, no Sambódromo do Anhembi. Confira abaixo o samba 2019:

Compositores – Marcio Pessi, Edson Daffé, Evandro Bocão, Pereira e Marcelo
Intérprete – Chitão Martins

A CORRENTE SE QUEBROU O CHÃO ESTREMECEU
LIBERDADE AMANHECEU EM LINDO RAIO AVERMELHADO
A SAVANA ILUMINOU O ATABAQUE ACOLHEU
O CANTO DA COLORADO
JAMBOW… SINTA A FORÇA QUE TEM O ORIXÁ
É AMOR… E A MAGIA DA FÉ A PULSAR
ESPÍRITOS GUERREIROS, GIRAM NOS TERREIROS
MÍSTICOS EM TRADIÇÕES E RITUAIS
QUE UNE CONTINENTES, ABRIGA SUA GENTE
QUÊNIA ORGULHA SEUS ANCESTRAIS

ÔÔÔ… UM GRIÔ CONTOU
À SOMBRA DE UM BAOBÁ
NUM TOQUE A LUA ILUMINOU
E A TEIA FORMOU O VENTRE DE TUDO O QUE HÁ

NO MAR E RIOS DE ENCANTOS
HEI DE ENCONTRAR CAVALOS MARINHOS
ENTRE OS CRISTAIS NAVEGAM MEUS SONHOS
IEMANJÁ ABRINDO OS CAMINHOS
ALEGRIA FLORESCEU
PÁSSAROS CRUZARAM O CÉU
A NATUREZA SE CURVOU AO REI
NÃO HÁ PROBLEMAS SE APRENDER ASSIM EU SEI
CANÇÃO É SENTIMENTO
MAGIA QUE UM POVO ENTOOU
SUA ALMA, SEU DESTINO, SUA COR

ISSO É VIVER… HAKUNA MATATA
É LINDO DIZER… HAKUNA MATATA
PULSA NOSSO POVO APAIXONADO
QUENIANO É O TAMBOR DA COLORADO

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