Por Lucas Malagone
Fotos: Widger Frota e Reprodução Internet
Encerrando o nosso especial ‘Por Dentro dos Enredos’, o destaque de hoje é a atual campeã do Carnaval de São Paulo, a Rosas de Ouro, que em 2026 apresenta o enredo “Escritos nas estrelas”. O tema é desenvolvido novamente pela dupla campeã com a escola, Fábio Ricardo e Ricardo Vilaronga, a partir de uma ideia original de Evandro do Rosas. A Azul e Rosa promete levar ao Anhembi uma reflexão sobre a história da astrologia e seus impactos na sociedade e no nosso dia a dia.
A proposta é uma grande viagem pelo cosmos, percorrendo estrelas e constelações para mostrar como esses astros foram fundamentais para o desenvolvimento humano. Guiados pelo céu, povos antigos ergueram civilizações, orientaram navegações, organizaram calendários e expandiram o conhecimento científico. O enredo ressalta como a observação dos astros impulsionou descobertas, estimulou o pensamento crítico e, ao mesmo tempo, manteve vivos os mistérios que ainda intrigam a humanidade.
O desfile deve começar justamente por um desses grandes enigmas: a origem do universo. A narrativa parte do Big Bang, a grande explosão que teria dado início a tudo, para explicar o surgimento das estrelas, dos planetas e, posteriormente, das leituras simbólicas que deram forma à astrologia e ao zodíaco. Assim, a Rosas de Ouro promete transformar o Sambódromo em um verdadeiro céu aberto, onde ciência, misticismo e imaginação caminham lado a lado, mostrando que, desde sempre, a humanidade busca respostas escritas nas estrelas.
“No princípio, havia apenas o silêncio – um silêncio cósmico, vasto e inatingível – até que o universo respirou pela primeira vez. Com uma explosão de luz e energia, nasceu o tempo, o espaço… e com eles, as estrelas. As galáxias se espalharam como sementes lançadas ao vento, tecendo a tapeçaria infinita do céu. Em meio ao caos criativo, surgiram os planetas, moldados pelo fogo e pelo gelo, dançando ao redor de sóis jovens e vibrantes. A Terra — berço da consciência — emergiu como um raro milagre, sob a vigília constante da Lua, sua eterna guardiã, e do Sol, seu coração flamejante.
Formaram-se planetas, viajando em órbitas perfeitas, criando uma sinfonia que rege os ritmos da existência, girando suavemente como um carrossel celeste. Quando o universo ainda sussurrava seu primeiro sopro de existência, as estrelas traçaram caminhos invisíveis, e os Deuses antigos bordaram o céu em doze caminhos de luz — e assim nasceu o Zodíaco, um sussurro eterno do cosmos moldando destinos na linguagem silenciosa dos signos que no futuro seria decifrada por toda humanidade.
Foi então que os céus começaram a falar… Em meio a esse cosmos majestoso, uma civilização antiga despertou, detentora de um conhecimento que transcenderia eras. Os ecos de sua sabedoria reverberaram através dos séculos, dando origem às culturas que moldariam o mundo. E antigos homens e mulheres — não apenas observadores, mas ouvintes atentos — aprenderam a decifrar os sussurros das estrelas. Esses primeiros sábios não criaram a astrologia. Redescobriram-na, como quem encontra ecos de um saber ancestral, deixado por uma civilização esquecida, tão avançada que se tornou lenda. Uma civilização-mãe, que semeou o conhecimento entre os povos. Foram eles, os guardiões do céu, que desenharam os primeiros mapas celestes. Zigurates, pirâmides, observatórios megalíticos — cada pedra alinhada com os astros, cada templo uma oferenda ao divino no alto”
* trecho extraído da sinopse oficial da escola

Na sequência, o desfile mostrará como os astros e a astrologia foram tratados como ciência fundamental para o desenvolvimento de civilizações antigas, como a Grécia Antiga, o Império Romano e o Egito Antigo. A leitura dos céus orientava decisões políticas, organizava calendários agrícolas e ajudava a compreender fenômenos naturais, consolidando o conhecimento astronômico como ferramenta de poder e organização social.
O enredo também abordará o período das grandes navegações, quando as estrelas serviram de guia para conquistadores que desbravaram mares e oceanos em busca de novas rotas, povos e territórios. A observação celeste foi essencial para a expansão marítima europeia e para a consolidação da sociedade ocidental como a conhecemos hoje, conectando continentes e redefinindo fronteiras culturais e econômicas.
A escola ainda promete relembrar e homenagear personalidades que utilizaram os astros como referência em seus estudos e obras, como Galileu Galilei, Leonardo da Vinci, Nostradamus e Cláudio Ptolomeu. Ao exaltar esses nomes, a Rosas de Ouro reforça a importância das estrelas na construção do conhecimento científico e na eterna busca humana por compreender o universo.
“Daí resplandecem a Mesopotâmia, berço da escrita e da astrologia primitiva; o Egito, onde faraós interpretavam os astros como divindades; a Grécia, que elevou a razão ao estudo dos céus; a Índia, com seus ciclos cósmicos entrelaçados ao destino humano e à elevação do conhecimento do próprio corpo; a Oceania, onde os navegadores guiavam seus caminhos pelas constelações; e nas Américas, mestres do tempo e das predições que contaram no calendário nossos dias. Ao longo dos milênios, a astrologia foi enriquecida e transformada por mentes brilhantes que expandiram suas fronteiras conceituais e técnicas. Estes pensadores, muitos dos quais eram simultaneamente astrônomos, matemáticos, filósofos e místicos, construíram um corpo de conhecimento que transcendeu culturas e épocas, estabelecendo as bases do que conhecemos hoje como astrologia.
Ptolomeu, em Alexandria, catalogou os céus com precisão matemática. Galileu Galilei ousou olhar além, desafiando os dogmas com sua luneta e sua mente afiada. Nostradamus captava as pulsações do tempo, escrevendo profecias guiadas pelos planetas. Da Vinci via na simetria do corpo humano os mesmos padrões que regiam o cosmos. E os três Reis Magos, astrólogos vindos do Oriente, seguiram uma estrela — não por fé cega, mas por sabedoria celeste. Estes grandes pensadores, cada um em seu tempo e contexto, contribuíram para construir um corpo de conhecimento que, longe de ser estático, continua a evoluir e se transformar. Eles nos legaram não apenas técnicas e sistemas, mas uma visão de mundo que reconhece a interconexão entre todos os níveis da existência, do microcosmo ao macrocosmo, das profundezas da psique humana às vastidões do espaço sideral.”
* trecho extraído da sinopse oficial da escola
Nos últimos setores, a escola se inspira na chamada Era de Aquário para simbolizar um tempo de transformação, consciência coletiva e renovação. Sob a influência desse novo ciclo, as estrelas passam a representar esperança e sonhos, sentimentos que também se entrelaçam com a própria trajetória da Rosas de Ouro, marcada por superação, união e conquistas. A narrativa propõe um paralelo entre os ideais atribuídos à Era de Aquário e a história da agremiação, reforçando valores como solidariedade, coletividade e visão de futuro. Assim, o desfile ganha contornos emocionais ao mostrar que os mesmos astros que guiaram civilizações também iluminam o caminho da escola rumo a novos horizontes.
Encerrando o enredo, a mensagem é clara: fé, ciência e conhecimento podem caminhar juntos. Em um mundo que busca respostas e equilíbrio, a Rosas de Ouro aponta para um futuro mais justo, mais humano e mais conectado com a natureza, reafirmando que os sonhos, quando compartilhados, têm força para se tornar realidade.
“E agora, em nossos dias, um novo ciclo se ergue no horizonte: a Era de Aquário. Um tempo de despertar coletivo, em que as correntes invisíveis do universo empurram a humanidade para a consciência, a equidade, a verdade. Aquário sopra ventos de mudança nas salas de aula, convidando à liberdade de pensamento. Traz reflexões no clima, nos corpos e nas mentes. Quebra velhos sistemas e ergue pontes entre o saber antigo e a intuição moderna. É a era da colaboração, da tecnologia com propósito, do amor que transcende fronteiras valorizando a diversidade humana, onde todos possam se respeitar.
É também a era da espiritualidade sem amarras — onde ciência e alma podem, enfim, caminhar juntas. E assim, sob este novo céu, seguimos. Os astros continuam a se mover. Mas agora, mais do que nunca, estamos ouvindo. Pois o céu não é apenas um espelho do destino: é o nosso reflexo extraordinariamente mais profundo. Que essa jornada nos leve a um futuro de paz. Que as estrelas nos lembrem do amor que temos dentro de nós, que cultivamos e que, em algum momento, deixamos escapar. E que a astrologia — esta arte milenar — siga sendo um farol para os corações que buscam sentido. Que este novo tempo seja de luz, harmonia e felicidade.
Que cada olhar voltado ao céu encontre ali não apenas um firmamento estrelado, mas um reflexo da jornada da humanidade. Pois, no fim, somos todos parte desta dança cósmica — guiados pelo infinito, sonhando com o eterno e escrevendo nosso destino entre as constelações.
Afinal, nosso futuro já está… Escrito nas Estrelas!
* trecho extraído da sinopse oficial da escola
Assim, a Rosas de Ouro volta seus olhos aos astros para reafirmar sua esperança, sua superação e o seu guia. A Roseira será a quinta escola a entrar na avenida nesta sexta-feira de carnaval, no Sambódromo do Anhembi.
Confira abaixo o samba-enredo da Rosas de Ouro no Botequim da SASP: