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“Por trás da caneta” – Rafa do Cavaco fala sobre o samba da Tom Maior

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Salve amigos!

O primeiro samba do quadro Por Trás da Caneta será o da escola que vai abrir os desfiles oficiais de 2017, a Tom Maior, que neste ano levará para a avenida o enredo Elba Ramalho canta em oração o folclore do Nordeste – Toque Sanfoneiro Forró, Frevo e Xaxado.

O samba cantando pelo intérprete Bruno Ribas foi criado pelos compositores Maradona, Turko, Ricardo Neto, Paulinho Miranda, Rafa do Cavaco, Celsinho Mody e Léo Reis.

Vamos conhecer um pouco mais da obra! (ouça no player abaixo)

 

SASP: De que modo foi feita a confecção da obra e montagem da parceria? Realizam quantos encontros? Como eram os encontros?

Rafa do Cavaco: Nossa parceria já vem junto desde o ano de 2014 quando ganhamos o samba na Tom que falava de Foz do Iguaçu, é uma parceria que junta a experiência de compositores que já venceram muitos sambas por aí com a nova safra que vem se destacando nesses últimos anos… Realizamos dois encontros sendo que no primeiro já deixamos tudo bem encaminhado com a letra bem encaminhada e a melodia já praticamente pronta… Esse ano nossos encontros foram bem a caráter do enredo, regado a muito comida nordestina e acredito que foi um dos fatos de termos meio que incorporado esse lado nordestino no samba…rs

SASP: Conte alguma particularidade da obra para os leitores da SASP, alguma situação engraçada ou até mesmo, cite algum trecho do samba que acabou não indo para a letra final apresentada.

Rafa do Cavaco: No nosso caso era quase tudo muito engraçado, pois eu e o Celsinho somos muitos brincalhões então qualquer coisa a gente já tirava uma onda, e sempre vinha uma brincadeira, mas na hora que a coisa ficava seria a gente era sério tbm rs… Uma situação engraçada foi na segunda parte do samba que ficou um debate por causa da palavra SURURU, no trecho do samba fala que Frevo e Xaxado causa o maior “Sururu”, e sururu é uma comida, mas no linguajar do povo nordestino é também sinônimo de confusão então um de nosso parceiros no samba que não vou citar o nome brigou até o final por causa dessa palavra, mas no fim a democracia prevaleceu e colocamos ela, e creio que até hoje ele ouve e fica pensando nisso. kkkkk

Sobre algum trecho que acabou não indo, tem algumas coisas mas não lembro agora, eu costumo dizer que até o dia da gravação do samba no estúdio tudo pode acontecer e muita coisa pode mudar.

SASP: Conte aos leitores da SASP, de forma detalhada, como se deu o processo de escolha do samba, passando pelas dificuldades do trabalho de quadra e escolha dos cantores (caso tenha sido eliminatória na quadra) ou como lidavam com a expectativa da escolha (caso tenha sido uma disputa fechada)

Rafa do Cavaco: No caso da Tom maior a escolha foi feita através do CD nas reuniões com a diretoria… Ficaram 3 sambas para a escolha final e na última audição com toda diretoria e alguns componentes foi chegada à conclusão de escolherem o nosso samba !!!

SASP: De que modo avalia a importância da gravação? Que cuidados devem ser tomados a fim de entregar o samba da melhor maneira para a escola?

Rafa do Cavaco: Bom… Aí é um fato importante !!!

Além de compositor, sou músico e faço questão de produzir a maioria das faixas dos sambas que componho para as disputas, pois sou muito chato com isso e acredito que uma boa gravação, com uma boa bateria, um bom cantor, bons arranjos e ligado a uma boa produção, já é um grande passo para o seu samba sair na frente em uma disputa de eliminatória, e principalmente se for numa escolha feita pelo CD como foi essa da Tom !!!

Nesse samba, eu procurei deixar bem caracterizado o lado nordestino na gravação, com muito forró, frevo e palavras  do linguajar do Nordeste. Isso só fez enriquecer a nossa gravação e o samba ser o q ele é hoje, e no CD oficial do carnaval eu tive a oportunidade de fazer a produção e os arranjos novamente na faixa da Tom e usei as mesmas ideias que foram feitas na gravação do CD para a eliminatória, portanto acho eu que a gravação do CD para a apresentação é fundamental para o bom desenvolvimento do samba na disputa.

SASP: Após a vitória, ajustes costumam ser feitos na obra, houve algum ajuste em sua obra? De que modo o compositor participa desse importante momento?

Rafa do Cavaco: Em nossa obra graças a Deus não foi feito nenhum ajuste.

E o ajuste se tiver no caso, cada escola escolhe a sua maneira de ajustar, algumas chamam os compositores para arrumar e outras procuram arrumar entre eles mesmos.

SASP: Muito se questiona a funcionalidade de sambas na avenida. Em alguns casos, sambas com qualidade reconhecida, não tem o mesmo desempenho no desfile que sambas menos comentados no período anterior ao carnaval, como você entende essa questão?

Rafa do Cavaco: Na minha opinião o samba sempre será o mesmo… seja ele maravilhoso ou não.

A grande diferença está no decorrer de cada situação, nas eliminatórias por exemplo a grande maioria dos sambas vencedores tem um palco onde se tem cantores que não são da agremiação e logo após o samba escolhido ele é entregue para a ala musical da escola, onde a ala tem que trabalhar o samba e fazer a adaptação para ter o seu melhor desempenho na avenida.

Muitas vezes você tem um cantor, que grava seu samba e canta na eliminatória, e na hora do samba escolhido o cantor da escola em algumas ocasiões abaixa meio ou um tom no samba, aí vem aquela velha história que o samba perdeu o brilho… Eu sinceramente não acho isso, pois o cantor tem que ir onde a sua voz permite chegar e não tentar forçar uma situação. E outras ocasiões vão para desfile da escola também, às vezes vc tem um samba maravilhoso só que a escola não veio bem,  aí vão falar que o samba não rolou, acho que samba bom será sempre bom, vou dar um exemplo, tem escolas que tiveram sambas bons que fizeram um desfile abaixo da média, mas que até hoje cantam esses sambas em suas aberturas de ensaios, como tem escolas que foram campeãs do carnaval com um samba mediano e que raramente cantam o samba em seus ensaios. E já tivemos situações, em que tivemos escolas rebaixadas tanto aqui em SP como no RJ e nessas escolas tínhamos o samba entre os três melhores do carnaval !

É uma coisa muito complexa. rs

SASP: Conte ao leitor da SASP, um pouco da sua trajetória como compositor, passando pelo início da sua carreira e lembrando as obras que já foi autor. Dentre as suas obras, você tem algum samba preferido?

Rafa do Cavaco: Comecei minha vida de compositor de samba enredo com apenas 14 anos, onde perdi meu samba na Leandro de Itaquera, para o saudoso Xixa,  que pra mim é um dos melhores compositores de samba que nosso carnaval já teve e que foi um grande professor para mim, e um ano depois eu consegui a minha primeira vitória de Samba que foi com o Enredo que contava a vida e a trajetória de Mário Covas na Leandro de Itaquera e esse ano ficou muito marcado, pois eu fui nota 60. Foi o último ano em que o carnaval julgaria até então Letra de samba e melodia e nesses dois quesitos levamos a nota máxima.

De lá pra cá foram muitas vitórias e muitas derrotas também, lembrar de tudo é complicado mas temos aí Leandro, Tatuapé, Tom maior, Tucuruvi, X-9, Nenê, Mancha, Dragões, Império, Perola, Perche, Imperador, e outras que me desculpem se não lembrei o nome.

Falar de Samba preferido é complicado pois tenho carinho por muitos sambas inclusive por sambas que não foram para avenida, então vou citar um que foi para avenida e um que não foi.

Nenê 2015 – Moçambique

Mancha Verde 2012 – Obará

SASP: A SASP deixa aberto o espaço para agradecimento a todos os parceiros e qualquer pessoa tenha feito parte dessa vitória, parabéns!

Rafa do Cavaco: Queria agradecer toda a parceria ( Turko, Maradona, Paulinho, Celsinho, Léo Reis, Rick e Tinga ) que são amigos de vida e amigos de profissão, agradecer tbm toda comunidade da Tom Maior por ter abraçado esse samba, todo povo do carnaval de SP que nos parabenizam pelo samba através de WhatsApp e redes sociais… Espero que a Tom Maior faça um excelente desfile que para nós compositores já será a GRANDE VITÓRIA !!!

Muito obrigado !!!

 

 

 

Botequim da SASP