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Você sabia que o carnaval já foi adiado em outras duas oportunidades, confira!

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Os foliões paulistanos foram informados na tarde desta sexta, 24, durante uma coletiva de imprensa realizada na sede do governo paulista, que o carnaval de 2021, que seria realizado entre os dias 12 e 20 de fevereiro, foi adiado por conta da pandemia do covi-19. Ainda não há uma nova data para que ele aconteçam, mas a previsão é que seja nos meses de maio ou julho.

Dentro do universo dos desfiles das escolas de samba, essa é a primeira que se adiará um carnaval, mas será a primeira vez que se adia os festejos. A primeira mudança da folia de momo aconteceu em 1892, quando o então ministro do interior, Cesario Alvim, decidiu mudar a festa para junho, alegando precaução higiênica, pois nos meses de verão, havia maior propagação de doenças contagiosas na população. A proposta, que partiu do intendente municipal do Rio de Janeiro, o major França Leite, foi aprovada no dia 28 de janeiro e encaminhada ao ministro do Interior, que a sancionou em 1º de fevereiro:

“Atendendo: que nesta cidade a época do carnaval é no rigor da estação calmosa, e quando as epidemias maior números de vida arrebatam; que sempre depois do carnaval recrudescem extraordinariamente as epidemias reinantes; que assim sendo, é altamente inconveniente a realização dessa festa na época que lhe é designada no calendário pelo que deve ser absolutamente proibida: proponho que se designem para o carnaval os dias 26, 27 e 28 de junho, entre os dias de São João e São Pedro, que são na melhor época do ano, solicitando-se ao ministro do Interior imediata aprovação, publicando-se editais pela imprensa e oficiando-se ao Dr. Chefe de polícia, a fim de não dar licença para a saída de qualquer grupo carnavalesco”, diz trecho do decreto.

Porém o povo não respeitou essa mudança e saiu as ruas para fazer festa em fevereiro e também em julho. O carnaval fora de época não teve muito sucesso, jornais da época relataram que o frio e a chuva, espantou grande parte do público.

O segundo adiamento ocorreu 20 anos depois, em 1912, quando as vésperas da festa, em 10 de fevereiro, o Brasil perdeu um dos homem mais idolatrados do país na época, o chanceler José Maria da Silva Paranhos Júnior, nacionalmente conhecido como Barão de Rio Branco. Para respeitar o luto, o governo decretou o adiamento da festa para os dias 6 e 7 de abril e mais uma vez, o povo não gostou da mudança e comemorou o carnaval nas duas datas.

Apesar de não se adiado, outro carnaval muito falado na história aconteceu em 1919, conhecido como “o mais louco carnaval de todos os tempos”. Tudo isso, porque o ano de 1918, o Brasil foi atingido diretamente pela gripe Espanhola, que chegou ao Rio de Janeiro por meio das embarcações que atracavam na cidade no mês de setembro. Em outubro, a cidade estava arrasada, pois não tinham médicos, leitos e hospitais, que dessem conta da situação, havia mortos espalhados pelos quatro cantos da capital federal. Foram mais de 35 mil mortos, incluindo o presidente do Brasil na época, Rodrigues Alves.

Quando a gripe foi embora, no início de 1919, o carnaval foi a redenção daqueles que ficaram vivos durante a pandemia. Nas festas de rua ou nas festas de clubes, a turma bebia e cantava até não poder mais. Essa história foi escolhida pela Unidos do Viradouro, campeã do carnaval carioca de 2020, para ser contada na avenida com o enredo Não há tristeza que possa suportar tanta alegria.

Botequim da SASP