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Mancha Verde apresenta melhor conjunto visual de sua história, mas desfile apresentou problemas em harmonia e evolução

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O relógio marcava pouco mais de uma e trinta da manhã quando o presidente Paulo Serdan anunciou aos seus componentes que a Mancha Verde desfilaria o maior carnaval de sua história. De fato, plasticamente a verde e branco caprichou, fazendo de fato o maior desfile de seus 18 anos de existência. Porém, a evolução da escola passou por problemas no decorrer do desfile. Assim que passou o recuo de bateria com sua comissão de frente e o gigantesco abre-alas, a escola ficou completamente parada por aproximadamente cinco minutos. Tempo a mais do que o esperado para as apresentações de comissão e casal.

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A impressão deixada pela escola em seu primeiro setor é de que os componentes ficaram deslocados diante da grandiosidade do primeiro carro alegórico e isso ofuscou o canto das primeiras alas. Apesar de todo esse setor possuir fantasias opulentas e caprichadas, o componente simplesmente não cantava. Outro fator que prejudicou plasticamente o desfile da escola foi causado pela chuva que caiu durante o Império de Casa Verde, que antecedeu a Mancha. A água prejudicou boa parte das penas que estavam em diversas alas. É uma forte característica do carnavalesco Jorge Freitas um grande número de alas coreografadas e na Mancha não foi diferente. Várias alas faziam coreografia durante o desfile dando um belo efeito visual, principalmente devido a beleza das fantasias.

Os quesitos musicais da escola passaram muito bem contando com a voz potente de Freddy Viana e seu carro de som. O cantor mostrou que está em grande fase e soube conduzir muito bem o samba-enredo elogiado no pré-carnaval. A bateria Puro Balanço executou as bossas que foram propostas com categoria.  


Com Exu abrindo os caminhos, a comissão de frente da Mancha Verde saudou a chegada da princesa Oxalá, concebida pelas bênçãos de Xangô e Oxum e com a proteção dos guerreiros guardiões, ao Congo. Logo na sequência, uma ala representando a principal riqueza do Congo, o marfim, com dois tipos de fantasias diferentes. Marcelo e Adriana Gomes, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, vieram representando o brilho de riquezas do local e foram sucedidos pelo grandioso abre-alas da escola da torcida palmeirense, que representava justamente a riqueza sob as bênçãos de Oxalá.

Logo na sequência do desfile alviverde, a Puro Balanço comandada por Mestre Maradona veio representando os guerreiros africanos que lutaram contra o domínio do conquistador. As alas subsequentes trouxeram as nobres sacerdotisas e os conquistadores portugueses, levando ao segundo carro alegórico da escola. Inspirado na batalha travada entre os conquistadores e os guerreiros africanos.

O drama vivido pelo povo negro do Congo com a colonização portuguesa foi retratado logo na sequência. A sétima ala da agremiação, por exemplo, retratou a compra e venda de escravos. Ainda nas alas deste setor, a violação do corpo da princesa negra em sua gestação e o mar de sangue, em referência aos abusos e a violência sofrido pelos escravos. Por fim, a terceira alegoria da Mancha representou a travessia da princesa pelo Atlântico até o Brasil, com um navio negreiro com toda sua dor. Destaque para a representação de Iemanjá, a Rainha do Mar, que de acordo com o enredo acalentou a princesa negra no momento de dor.

Já no Brasil, o enredo da Mancha desembarcou em Pernambuco e em suas alas mostrou o Maracatu, os coqueiros da região de Pernambuco e os escravos no trabalho árduo na lavoura foram representados no desfile alviverde. O quarto carro da agremiação encerrou o penúltimo setor do desfile da Mancha, retratando Pernambuco e o sincretismo religioso dos negros, que proibidos de adorar suas divindades africanas, dedicaram suas orações a Nossa Senhora do Rosário, que tornou símbolo da resistência negra na região e no país.

Fechando o desfile da Torcida Que Canta e Vibra, os objetos típicos e característicos da região de Palmares foram retratados. Vasos de argila, tambores e turbantes foram lembrados, bem como a última ala que retratou a união entre Brasil e Congo, apresentada ao longo de todo o enredo. Finalizando o desfile, o último carro da Mancha Verde a retratação de Palmares, símbolo brasileiro de resistência negra. A última alegoria trouxe Zumbi em uma estrutura de ferro e o sincretismo religioso com alguns orixás de um lado e os santos dos catolicismo do outro.

Botequim da SASP