O samba paulista está de luto com o falecimento do compositor Ideval Anselmo, um dos maiores nomes da história do samba-enredo paulistano. O poeta faleceu nesta quarta-feira de cinzas, dia 18, em São Paulo, aos 85 anos.
Ideval construiu uma trajetória marcada por talento, sensibilidade e forte ligação com a cultura popular, tornando-se referência para gerações de compositores e intérpretes do samba paulistano.
Nascido em Catanduva, no interior paulista, em 1940, Ideval viveu a infância em Votuporanga, onde teve os primeiros contatos com a música. Já na capital, aproximou-se do cordão Camisa Verde e Branco, berço de sua história no carnaval, iniciando ali uma carreira que atravessaria décadas.
A partir dos anos 1970, passou a disputar e vencer sambas-enredo, conquistando reconhecimento por letras poéticas e refrões de forte apelo popular. Seu primeiro grande triunfo veio em 1973, com o samba “Literatura de Cordel”, que ajudou a consolidar seu nome entre os principais compositores da cidade.
Ao longo da carreira, Ideval teve sambas apresentados inúmeras vezes no Grupo Especial e participou de momentos históricos do carnaval paulistano, incluindo títulos importantes por diferentes agremiações.
Autor de clássicos, Ideval Anselmo ajudou a construir a identidade musical dos desfiles de São Paulo. Entre suas composições mais lembradas estão:
-
“Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, frequentemente citado como um dos maiores sambas da história do carnaval paulistano;
-
“Atlântida e Suas Chanchadas” (popularmente conhecido pelo refrão “Maré ô”);
-
“Uma Certa Nega Fulô”;
-
“Tesouro Africano”, entre outras obras que atravessaram gerações.
- “Velha Academia” – Rosas de Ouro 1984
Suas canções foram interpretadas por grandes vozes do samba e seguem presentes em rodas, shows e na memória afetiva do público.