Por Lucas Malagone
Imagens: Dan Santana e Diego Florêncio/SASP Carnaval
Dando sequência à série ‘Por dentro dos enredos’, que apresenta os temas das escolas do Grupo Especial, é a vez de conhecer um pouco mais sobre o tema da Estrela do 3º Milênio. Quinta escola a desfilar no sábado de carnaval, a agremiação do Grajaú leva para a avenida o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, uma homenagem ao grande músico e compositor Paulo César Pinheiro, com assinatura, mais uma vez, do carnavalesco Murilo Lobo.
A escola propõe contar a trajetória do compositor a partir de suas canções, de sua produção literária e de sua profunda contribuição para a cultura brasileira. Pinheiro é autor de mais de mil composições registradas, construiu ao longo da carreira mais de 200 parcerias e teve suas obras interpretadas por cerca de 500 artistas diferentes. Entre eles estão nomes como Pixinguinha, Elis Regina, Dona Ivone Lara, Tom Jobim e Maria Bethânia. Entre tantas colaborações marcantes, destaca-se a parceria com Clara Nunes, com quem foi casado por oito anos e manteve uma relação artística e afetiva que atravessou toda a vida da cantora.
Sua estreia como compositor aconteceu ainda aos 14 anos, com os versos da música “Viagem”, em parceria com João de Aquino. A canção rapidamente ganhou projeção e foi gravada por mais de uma dezena de artistas consagrados, como Maysa, Nelson Gonçalves e Marisa Gata Mansa. Aos 19 anos, veio a consagração nacional com a letra de “Lapinha”, de Baden Powell. Encomendada pelo violonista e inspirada na capoeira de Besouro, da Bahia, a música estourou na voz de Elis Regina, que a defendeu na 1ª Bienal do Samba da TV Record, em 1968, conquistando o primeiro lugar.
No início da década de 1970, a convite de Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro conhece Pixinguinha nos estúdios da Odeon, durante a gravação do álbum Pixinguinha 70, produzido por Hermínio. Ao ouvir que aquele jovem de apenas 20 anos seria o letrista ideal para sua música predileta, o choro “Ingênuo”, Pixinguinha não hesitou em conceder sua bênção, selando uma parceria simbólica que uniu gerações da música brasileira.

Sua atuação contra a censura também marca a trajetória do compositor. Um dos momentos mais emblemáticos aconteceu em 1972, com a gravação de “Pesadelo”, pelo MPB4, canção surpreendentemente liberada pelos censores e que ganhou destaque no samba-enredo que a escola levará para a avenida. Entre 1975 e 1976, já casado com Clara Nunes, Paulo excursionou pelo país com o show universitário “O Importante é que a Nossa Emoção Sobreviva”, arriscando-se também como cantor, ao lado de Márcia e Eduardo Gudin.
A Estrela do 3º Milênio vai desenvolver o enredo na avenida a partir dessas obras e parcerias, dividindo o desfile em setores que representam momentos marcantes da vida do compositor e seus significados para a cultura nacional. Dois artistas terão papel central nessa narrativa: Clara Nunes e João Nogueira. Mangueirense, Paulo conheceu Clara em um festival da Portela. Foram oito anos de casamento e uma parceria intensa, que resultou em obras eternizadas na voz da “Sabiá”, como “Portela na Avenida” e “Canto das Três Raças”. Já com João Nogueira nasceram sambas históricos como “Súplica”, “Poder da Criação” e “Missão”, que traduzem a essência do compositor e a magia do ato de criar.
Com maestria, Paulo César Pinheiro sempre soube transformar sua vida, suas histórias e, sobretudo, suas emoções em obras-primas que atravessam estilos, décadas e gerações. Buscando sua afirmação no Grupo Especial e sonhando com uma vaga no Sábado das Campeãs, a Estrela do 3º Milênio promete transformar as mais de mil canções do homenageado em samba, poesia e emoção, em um desfile que promete tocar o público do Anhembi.
Confira abaixo o samba-enredo da Estrela do 3º Milênio no Botequim da SASP: