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Coluna “Di Quinta” – O tempero de nossos riscados!

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Por Yuri Coloneze

Olá, leitores da SASP!

Hoje é dia de nova coluna na área com a intenção de aguçar teu paladar!

Sim… Estou falando do prato mais típico em qualquer boa roda de samba: Nossas sagradas feijoadas!

Recheadas de influências européias, o prato se transformou em presença mais do que marcante em diversas escolas de samba espalhadas pelo país. Essa tão divina iguaria guarda um laço especial com o sincretismo religioso tão brasileiro, além do toque particular de nossas sagradas baianas.

Por isso nada melhor do que dedicar meus versos e minha coluna para homenagear o prato que se transformou em sinônimo do nosso riscado!

Boa leitura e bom apetite!

Oi bate palma pro caldo engrossar! É feijão, é feijoada para o paladar popular aguçar!

Forças sagradas da natureza
Dos verdes cheiros que semeiam a beleza
A brincadeira maior é aguçar o paladar e o próprio olhar
Para os versos de brasileira história que ainda esquece de compartilhar
Tenho influência francesa
Carregada nas atlânticas marés pela real corte portuguesa.

Não nasci nas senzalas como se acredita
Eu era prato cultivado pela nobreza de elegância erudita
Mas meu coração é nativo
O meu feijão é berço de indígena coração cativo
E nessas loucas curvas de brasileira história em apropriação
Acabei me transformando em prato sagrado nas mesas dos filhos da cruel embarcação.

Lá nos cortiços que guardavam a herança da diáspora baiana
Nos fogos de chão após louvação para nossa ancestralidade africana
Hoje sou verdadeiro símbolo de cultura popular em feitio de resistência
Nos fundos dos quintais das mulheres exemplos de rara resiliência
Aprimorei meu sabor e meu clamor pelo sincretismo em singela essência.

Hoje sou presença ilustre no dia do santo guerreiro
Continuo sendo berço da negritude e alimento sagrado para povo tão valente e festeiro
O festejo com divinas proteções
Já faz parte do meu legado que transborda emoções
A felicidade é o meu maior tributo para guardar tão gostosa vaidade
Carrego patuá, axé, roda de samba, de Jongo e singela simplicidade!

Botequim da SASP